terça-feira, 30 de dezembro de 2008

POEMAR


ILUSTRAÇÃO OBRA DO PINTOR CÌCERO DIAS


POEMAR

carmen l.fossari

pomar de maças maturando,
morangos colhidos vermelhos,
palavras sementes (não mentes?, que mente....)
vida....
Lua vermelha, girando
E a noite brincando de ser
Pião, rodando no céu
Nas palmas das nossas mãos.
Lemos as içadas velas
Sem rumo
Navegamos
Nas mãos o amor que plantamos
Enquanto colhíamos luas vermelhas
Saltitando borbulhantes nas bocas
d.um poema que escrevemos.

O ANO, NOVO




O ANO ,NOVO

carmen l. fossari

Findo mais um ato
Ano indo
As cortinas vermelhas fecham
Ante o aplauso e a espera de outro.
Ato, somos as personagens
Vindas dos mistérios.
Outros dias
Será o que, o meu destino?
Persigo,
Persisto nas conhecidas rotas
Onde me reconheço.
No que me apraz e naquilo que uma mortalha
Sentencia focos opacos
Que adentram no uni verso
Das sensações, rio que navego d.onde
Eu estou.
Reestréia no afã de abraços, beijos
Promessas e o ano novo , nasce .
Abrir a janela ao amanhecer
Encontramos, ele o
Novo Ano, matreiro,
De incógnitas intenções

Se traçadas
Se as determinamos
São mistérios
É mistério.
Algum ministério,
Aos estudos aprofundados,
Fornece mapas das energias
Que nortearão desde os caminhos
Do universo dos astros.
São mapas,auxiliam como
Um pequeno lucero
O nortear,
Mas chega o sul
Os ventos do Sul
São imprevisíveis
Arrebatam as forças
Que duelam entre o querer
E o poder.
Tudo posso
E nada posso
Nem as posses alguém leva
Quando não só o ano será findo.
Esta estação que protelamos
Enredando- nos aos sonhos,
Neste correr tão certo



para todas as coisas incertas
Seguimos
No mar
Repleto de flores
Iemanjá
Sorri, uma estátua
Bela, branca e azul
Cabelos longos,
Uma Entidade.
Mergulhamos as esperanças
No mar salgado
Um batismo com a vida
Um beijo no mistério
Um enredarmos aos traçados
Só ele caminha silente
Sobre o leito dos rios
d.aguas doces em busca do mar
ele, esperado ano
e se diz Novo
Para que possamos bordar os dias
Com as estrelas incandescentes
da palavra esperança.

Feliz MMIX.

domingo, 21 de dezembro de 2008

PRÊMIO SELO DARDOS


O BLOG TATUAGEM ESTÁ FELIZ, COMEMORANDO O PRÊMIO SELO DARDOS CONCEDIO PELO POETA DE BRASILIA JOÃO CARLOS FREITAS, ESTE SELO FOI CONCEDIDO A 15 BLOGS,
TRANSCREVO TEXTO DO POETA JOÃO CARLOS

http://joaocarlosfreitas.blogspot.com/

Agora indico mais 15 blogs que também merecem aplausos, e este magnífico "selo-prêmio":


Devolvendo o prêmio... ao enigmático "é o menino-homem?";
Singelamente, ao -Poeta- "j. m. j. & poemas";
Fundamentalmente, "João Jacinto . Astrologia"
Aos "ENCONTROS" de Andrea Lucia;

Um convite... "Tatuagem";
Para o perfeito "armazemdapalavra";
Este vai para meu irmão Rinnaldo Alves com "O amor me move...";
Psinsomnia no melhor de "Da Busca - Fabio Rocha";

?
Ao puro "Veneno Antimonotonia";
Ao incrível "Metades", de minha amiga Renata dos Anjos;
À equipe "Os opostos de distraem, os dispostos se atraem..";
Meus ilustres... "Um vulto de sanidade" a vocês;

Começando agora, mas merecedora "Garotinha Crescida";
?

...Bem, a vocês que foram merecidamente prestigiados é preciso seguir algumas "regrinhas":

- Primeiro, é importante saber que: "Com o PRÊMIO DARDOS se reconhecem os valores que cada blogueiro emprega ao transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, etc. que, em suma, demonstram sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre suas letras, entre suas palavras. Esses selos foram criados com a intenção de promover a confraternização entre os blogueiros, uma forma de demonstrar carinho e reconhecimento por um trabalho que agregue valor à Web".


- Depois, siga, por favor, essas instruções:


1) Você deve exibir a imagem do selo em seu blog;
2) Você deve linkar o blog pelo qual você recebeu a indicação;
3) Escolher outros 15 blogs a quem entregar o Prêmio Dardos;
4) Avisar os escolhidos, claro!

domingo, 30 de novembro de 2008

VERDE FOZ


ilustração Pablo Picasso


VERDE FOZ

carmen l.fossari


O VERDE REVERDECERÁ...
O SOL AMIGO, NÃO SE FURTARÁ DE
SECAR A TERRA
ACARICIAR AS FERIDAS
AS PERDAS HUMANAS

O VERDE RECONDUZIRÁ
AS AGUAS AOS LEITOS DOS RIOS
E OS LEITOS VOLTARÃO
ABRIGAR OS SONHOS
AS TORMENTAS PASSAM
DEIXAM SEQUELAS
MAIOR É A CAPACIDADE
DE RECONSTRUIR.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008


ILUSTRAÇÃO:PAUL CÉZANNE- NATURE MORT.
POEMAL
carmen l. fossari

ANDEI AO SER-ME

VERMELHO FRUTO DE OLHAR FIXO

MAÇA PERFILADA EM ARBUSTOS

A BRISA MATINAL
REVERDEJANTE

ERAM O QUADRO EM MOLDURA DA MEMÓRIA

A CACHOERIA BRINCANDO DE SER
QUEDA

QUEBRANDO A INQUEBRANTÁVEL
ÁGUA CRISTALINA

PARECIA SER UMA DE MEUS EUS

À COBIÇA DOS SONHOS
DE TOCAR OS LÁBIOS:

LUA VERMELJA, DA MADRUGADA,
FOLHAS TANTAS DE ESCREVER-ME

EM ESTAÇÕES DA OUTONAL AUSENCIA
À PRIMAVERIL PRESENÇA

BORDADA DOS VERDES MATIZES

AR RAREFEITO CONDUZINDO OS SONHOS
QUEDAS D.ALMA

COMO ÁGUA INQUEBRANTÁVEL.
SOU UM AUTO RETRATO

PLANTADO EM POMAR
DE MAÇAS, DE TERRA,FLORES, FRUTOS,
E SOM DOS VENTOS,
E NADA MAIS.

Ilha MMVIII

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

NO ESPELHO OVAL



NO ESPELHO OVAL
carmen l. fossari

A vaga música era poesia
O silêncio era de multidões
E todas elas habitavam a noite
Mais fria .
Eram ele
As multidões
Recortado
Aos prismas do espelho
Oval
Era fotografia antiga
E cinema
Era ainda sombra
Em névoa
Revisitado ao clarão
Da lamparina
Uma bailarina
Na ponta dos pés
Pulava em flocos de fogo
Apagaria o cigarro, mas...
Sorriu
Ela olhou por entre a fumaça
Tragou o mesmo cigarro
Virou dança e fogo
Fotografia e som
As bocas naufragaram as palavras

Por um beijo e outro
Mais e um
A vaga música era poesia
O silêncio era de multidões
E todas elas habitaram na noite
Ardente, a noite mais fria
De um inverno verão.

domingo, 2 de novembro de 2008

HORASOL

HORASOL
Carmen L. Fossari

SOL NOSSO DE CADA DIA
VENHA HOJE SANTIFICAR-NOS
SEJA FEITA TUA ESTRELAR VONTADE
CONTUDO
VENHA A ESTA ILHA
HOJE, AMANHÃ E DEPOIS
POR TODOS OS DIAS

AMÉM

HORASOL

HORASOL
Carmen L. Fossari

SOL NOSO DE CADA DIA
VENHA HOJE SANTIFICAR-NOS
SEJA FEITA TUA ESTRELAR VONTADE
CONTUDO
VENHA A ESTA ILHA
HOJE, AMANHÃ E DEPOIS
POR TODOS OS DIAS
AMÉM

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

dance a alma
que o corpo é poesia
e a música
o silêncio de todos os mares.


carmen l. fossari

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

nomeação do poema breve .



Beijam-nos as flores com a compreensão da primavera,quando eu te amo,tu me amas misturam-se ao pão nosso de cada dianoitedia.

c.f.

infiniTus



O OLHAR QUE AMA SABE O INFINITO DA PAISAGEM

carmen f.

paisagem do olhar



carmen l. fossari

alma da lua nua
espelho da noite prata
tentáculos de bem querer
brinca menina lua
eu ontem acordei orvalho. c.f

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

POETICAIS



POETICAIS


Carmen L. Fossari

Das ondulações
Que sonam em lua sustenido
O mar rodeado em cirandas
Roda o destino
Claros veios de neve
E alecrim
Tateiam eles,
Na superfície ao horizonte
São dois pássaros
Que inebriam o alado movimento.
E trazem ao olhar
Um sedutor perfume das memórias
Do querer e nada mais ser que em poema
Fractais reflexos
Avivam
Corpos poetrias
Do gramatical encontro
Um corpo em dois
Eis o verbo na clave de Nós
Dos sonhos rarefeitos
Amor, Poesia, e nada mais!

Ilha dois de outubro 2008

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

SETEMBRAIS


Botticelli -PRIMAVERA


SETEMBRAIS


Carmen L. Fossari



Setembrais
Iniício do tempo segundo
Do ano que galopa
Num prado de lilases
Dias, sob a relva das noites
Dos segundos que pensam serem
Eles mesmos ,asas de uma libélula.
A esquina do calendário
Escorre no rio dos sonhos
E forma um caderno
De diárias confissões
Que é preciso desempacotar o sol
Recolocar as esperanças num varal
Ao léo, ao tempo, do sem tempo
E é precido espraiar-se
Na praia que impede
Nossa vida de ser apenas
O mar e nada mais
Infinitos azuis
Borbulhantes brancasespumas
Paridas do azul da aguas
Como uma mágica
E as flores aos campos
Retiradas desejam tão somente
Retornarem nas terras tão infindas
Que se querem não mais de latifúndios
Improdutivas
E de verde e trigo
Ao pão de todos
Serem alvo.
Setembrais
O amor que recomeça
Na espera de quem zela
Por afeto
De quem aquece o corpo
Ao outro corpo que enleia
Em asas da libélula ao por do sol
E faz a noite ser mais que um mistério
Um rio caudaloso e borburante
Doces aguas que desaguam
Em setembrais.

1 de setembro de 2009
ilha





.

terça-feira, 22 de julho de 2008

ILHA FEMININA




ilustração do artista João Werner
http://www.joaowerner.com.br/




carmen d.aranda fossari


O mundo feminino
Abre-se de úteros
Como as folhas em pétalas
Que amanhecem
Jardins, mundos, infâncias, flores
O universo adulto do corpo amoroso
Comportando outro corpo
Da luz lasciva de todos os tatos
Os sentidos, a intuição
O homem barro macerado
Que habita seu mundo
De dança e música

O feminino,nossa identidade
carregamos na hitória
Tantas estórias de dores
Que um ser, por qualidade
De gênero amalgamou
Nas paredes do mundo
Nãos imperativos,
Revelações semanticas
do femina
A fome
A dor
A pobreza
A miséria
A intolerância
A guerra

Mas o tecido involucrável
Descobrindo em nudez
A palavra mulher
Tece em desejos

A paz
A alegria
A fartura
A riqueza
A tolerância
A criação

Aos mapas ortográficos
As veias onde pulsam
O ser feminino, Mulher
O masculino ser, Homem

Indcam a geografia
De país algum
Que não o construído
De ventos e sonhos
De vísceras e suores
De esperanças e lágrimas

Ao fogo que acende
As almas, quando anoitece
O corpo abrirá seus braços
Aos abraços
Femininamente amorosos
Ao masculino homem
Tão frágil quanto a fragilidade
que enunciou da mulher
pelos confins dos tempos.

MMVIII,22 de Julho

.





domingo, 22 de junho de 2008

NOVENAS


Montijo









Tourada JMJ



Pitura de JMJ




São Pedro, obra do pintor poeta





autor do livro de poesias RECANTOS DA LUA( A LUA DAS NOSSAS MEMÓRIAS..)


EM MINHA INFÂNCIA ASSISTIA A UMA PEQUENA PROSCISSÃO DE VIZINHOS NA CIDADE DE BRUSQUE , QUANDO EM FÉRIAS E TAMBÉM NA ILHA, EMBORA COM MENOS FREQUÊNIA,ELA ADENTRAVA PELOS FLORIDOS JARDINS CAMINHANDO NOS CAMIHOS QUE DAVAM EM PEQUENAS ESCADAS DIANTE DE VARANDAS ENCERADAS E COM VASOS DE FOLHAGENS DE SAMAMBAIAS AOS CANTOS POSTADOS.

LEMBRO QUE ERAM CASAS COM ALMA DE PRIMAVERA, E OS GRUPOS DE VIZINHOS CERIMONIOSAMENTE PASSAVAM PELA PORTA PRINCIPAL, COMO QUEM ADENTRA NUMA CATEDRAL.

CARREGAVAM PAPÉIS IMPRESSOS E UM OU OUTRO ALGUMA IMAGEM.

TENTAVAM SEMPRE COOPTAR AS CRIANÇAS QUE FUGIM DE TAL CERIMôNIA, EU ERA UMA DESTAS CRIANÇAS,ATENTA A TEMPO DE FUGIR E ADENTRAR NUM UNIVERSO OUTRO ,QUE COMUMENTE ME PARECIA MAIS AGRADÁVEL E ALEGRE QUE A REUNIÃO DOS ADULTOS DE CASA EM CASA ,POR NOVE DIAS .ERAM AS NOVENAS NOTURNAS.

ALÍ CERTAMENTE ESTAVA A FÉ NA VIDA E TODO OS MêDOS, AS ESPERANÇLAS ERAM DEPOSITADAS EM LADAINHAS REPETIDAS ,NOVE NOITES, NOVE PRECES, NOVE PROSCISSÕES DE REZAS TALVEZ, AS MESMAS REPETIDA EM VÁRIAS TRADUÇÕES,MUNDOS AFORAS POR TANTAS BOCAS E MÃOS LAMURIOSAS.

AINDA HOJE DAS NOVENAS ME AFASTO QUANDO PROCURADA AO EDIFICIO ONDE MORO, MA INTENÇÃO DE FORMATAR A FÉ A ANDAR NA ARQUITETURA PRISIONAL DA DITA MODERNIDADE DE ANDAR A ANDAR,EMBORA HOJE COMPREENDA QUE OS RITUAIS DE VIVER SÃO CULTURIAS E EM ALGUNS CASOS OPCIONAIS.

MAS CONTRADITORIAMENTE , ME VI A ESCREVER NOVE POEMAS EM VERSOS LIVRES, COM INTUITO MENOS SAGRADO CERTAMENTE E RESOLVI DENOMINAR NOVENA, E ME VI COMO AO CENTRO DO
PATHOS
, ENTRE O INUSITADO DE ESCREVER EM POESIA UMA NOVENA, QUE NADA PEDISSE, QUE NADA AGRADECESSE, QUE NADA PRETENDESSE SENÃO AO MOMENTO DADO VERSAR LIVREMENTE EM TORNO DE UM ANIVERSÁRIO, QUE PARECEU-ME UMA FORMA PRAZEROSA DE PRESENTEAR UM POETA.

E AO DIA DO NASCIMENTO DELE POSTO, QUE CHEGUE AO MONTIJO A NOVENA, E COMO TODO VÃO MORTAL TATEIA ENTRE O SAGRADO E O PROFANO... FAREI ENTÃO UMA PEQUENA VIA CRUCIS DE IMAGENS AO ENTORNO DO ANIVERSARIANTE:
o Menino do Montijo, POETA João Marques Jacinto,

FELIZ ANIVERSÁRIO!

bjs

Carmen

UM

UM

Carmen l. fossari

TUDO SERÁ SOMA
TUDO SERÁ SUBTRAÍDO
ALGO SE MULTIPLICARÁ
MUITO SERÁ DIVIDIDO
A IGUALDADE EQUAÇÃO DIFÍCIL
O QUE DE FATO CONTAR
NÃO SOMA
ÀS VEZES PODE SUMIR
O QUE DE VONTADE FICAR
POR CONQUISTA TECIDA
SERÃO DIVIDENDOS
NÃO DIVISÍVES
SE PARES
ÍMPARES
EM CADA SER
TANTAS FRAÇÕES
MILHÕES DE HIPÓTESES
E UMA SÓ RAZÃO
DERROTAR TODAS AS EQUAÇÕES
E ABRIR O CORPO À MATEMÁTICA
DOS AFETOS
DOS FEITOS
DOS CORPOS TATUADOS
NA DANÇA DOS PARES
2 E 2 E SEGUE A
INFINITA MÚSICA
SOLFEJANDO
O NASCER DO MENINO
O HOMEM O REENCONTRA
O PERDE
O IGNORA
O RESGATA AMADURECE
A VIDA E AS RAÍZES O PRENDEM
ENQUANTO OS BRAÇOS EM FOLHAS VERDES
O CONVIDAM AO UNIVERSO
AO HORIZONTE
AO INFINITO...


22 DE JUNHO

NOVENA

DOIS

Carmen Lucia Fossari


Lentamente a terra caminhou
Preguiçosa
Esgueirou-se na ponta dos pés
Encontrou a borda da lua
Clara, cheia, prata e ouro
Era a lua e era o sol
Era a fusão do dia e da noite
O milagre da vida
Carregado nas mãos
Ágeis do tempo
Que o convidavam a nascer
Ao menino, que chegava
Só as torres da matriz
Quebraram o silêncio
Secular de Montijo
E o rio riu da preguiça da terra
Dois estava quase se transformando em
Um e a mãe do menino
Mãos ao ventre
Sorriu .

21 de Junho 2008

NOVENA

TRÊS

carmen l. fossari

O triangular calendário
Deixou todas as folhas
Irem ao chão.
Três ficaram
A se contar os números
20
21
E
22
Depois o mistério
Seguirá ao rio
E a vida eclodirá
Na fotossíntese
De esperas
Encontros
Desencontros
Caminhos
Uma viagem
A ser vista da Janela d.alma.


Ilha madrugada 20 Junho 2008

NOVENA

QUATRO

carmen l. fossari

DIAS DOIS EM PAR
QUE SOIS AO SER
QUATRO EM ESPERA
DEMARCADA

IMPAR DIA MENOS
E O TRÊS
MAIS APROXIMARÁ
NASCER O DIA QUE
VIRÁS AO SEIO DA TERRA

EM PARES DOIS
PERFIL NA LINHA POSTA
2 E 2
NO MÊS DE SANTOS
ANTONIO, JOÃO E PEDRO

DOS PESCADORES PADROEIROS
O ÚLTIMO SANTO CITADO
É NA ILHA DE FLORIPA
ALEM PADROEIRO AMIGO.

NA CIDADE BELA EDIFICADA
EM HISTÓRIAS, A LISBOA
PORTUGUESA
O PRIMEIRO SANTO
DOA O NOME FESTEJADO
QUE A MATIZA DE AFETOS
AOS ARREDORES DO TEJO

EM SANTO AO SER O DO MEIO
NAS POPULARES FESTAS
DE PORTUGAL E BRASIL

JOÃO EMPRESTA O NOME
A QUEM POR PERTO
AVIZINHA A DATA DE SEU NASCIMENTO

MAS AO NOME DE SANTO MATIZADO
SANTIDADE NÃO É GARANTIDA
QUE A VIDA É UMÁ A CORDA BAMBA
NO VENTO
NA FINA LAMINA QUE CORTA
OS VEIOS DO SAGRADO E PROFANO


XVIII VI MMVIII

NOVENA

CINCO

carmen l. fossari

CINCO TEM O MISTÉRIO
DE SER COMO O VULCÃO EM ERUPÇÃO
OU APENAS A PEDRA NO JARDIM
SENDO EM SI SEM O SABER
E SENDO PLENA
SE LAPIDADA OU
NATUREZA BRUTA

CINCO SE APROXIMA AOS DEDOS DA MÃO FECHADOS
UMA CONCHA FORMADA
UMA METÁFORA
SEGUNDO NOS CONTAM OS MAIAS
UNIDADE QUE REPRESENTA
A CRIAÇÃO DO UNIVERSO.

A CONCHA DA MÃO EM CINCO
AOS DEDOS FECHADOS
CONTÉM A VIDA QUE ESTEVE
ALÍ NO INÍCO DOS TEMPOS

O UM MENOS
DO VAZIO ENTRE OS DEDOS
E A PALMA DA MÃO FECHADA
NUNCA O ZERO!

NA NOVENA AO POETA
O CINCO
ENTRE AS ERUPÇÕES CALOROSAS
DOS VULCÕES
E A SABEDORIA DAS PEDRAS
CONTABILIZA OS DIAS DA ESPERA
PARA O MENINO NASCER

O CINCO
PARTINDO DA VIDA
AQUI É O SOL ESTRELAR
ESPALMADO,ESPARRAMANDO
A ALMA TODAS AS LUAS
PENDURADA NO VARAL DOS SONHOS
ENTRE PANOS BORDADOS
E O UNIVERSO QUE GIRA



XVII VI MMVIII

ILHA


.

NOVENA

Seis

Carmen l. fossari

Os minutos galopam ao prado
No relógio verde do tempo
Um ventre tateia o afeto
A mão da mãe é d seda.

Semana menos dia
O campanário espia

A casa onde a avó
seduz o saber
é catedral do amor
A avó
Sorri sozinha
Já estará o menino
Que aos mimos
Prenderei nas rendas
Uma teia de saberes
Pensa da sala de diretora
Do Liceu, tão seu,
Meu ,diz a avó para si.

E a música toma a noite
De paterna presença
No sexto dia de espera
No tique taque dos prados
Nos verdes amanheceres


XVI VI MMVIII

.

NOVENA

SETE

SETE DIAS

CARMEN L. FOSSARI

15 DE JUNHO 2008


SE TE DIAS
QUE LHE FALTAM
OUTROS TANTO QUE LHE SOBRAM
A SEMANA ASSIM OS CONTA
CONTE UM CONTO
DESTA ESPERA
SE O QUERES SETE FASES
OUTRAS VEZES SETE RIOS
QUE PASSARÃO TAMBÉM OS SETE
SEM ANTES QUE NASÇA O MENINO
HÁ SABERES QUE ILUMINAM
SENTE QUEM LÊ A HISTÓRIA
MAS AINDA MAIS QUE O SABER
NA ALMA A FORÇA DE TRANSMUTAR
OS CAMINHOS SE COLOCAM
MAS NADA NOS DETERMINA MAIS
QUE A VONTADE DE NASCER A CADA SEGUNDO NOVO
QUE INVENTAMOS , QUE DETERMINAMOS
EIS O PORQUE DA RAZÃO SUBJUGADA A EMOÇÃO.
SETE DIAS RECRIAMOS A CONSTRUÇÃO DE NOSSO SER




.

NOVENA

OITO

Carmen Lucia Fossari

OITO INFINITO O NÚMERO
SEMANA CHEIA MAIS UM DIA
UMA NOITE
QUE SOMADA
PROMETERÁ A AURORA
AO DIA DE NASCER CELEBRAR
EM OITO FINITO NO INFINDO
RIO, NAVEGA O TEMPO DE
EM PROMESSA RENSACER


14 de Junho 2008 ILHA

NOVENA

NOVENA , VERSOS LIVRES

NOVE


CARMEN L. FOSSARI

EM NOVE DIAS ,UM DIA
UM DIA , TODA ALEGRIA
PORTAS FECHADAS
AO IDO
PARTIDO
NAS MÃOS
UM RAMO
DE FLORES
TERRA A VISTA
NASCERÁ O MENINO
O MENINO HOMEM
OUTRA VEZ NASCERÁ
ADULTO, LIBERTÁRIO
NO RIO QUE FLUI
AS AGUAS DE SER FELIZ


13 DE junho ilha MMVIII

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terça-feira, 3 de junho de 2008

OUTRO DIA, VIRÁ

Retrato de Jeanne Hébuterne , Modigliani

OUTRO DIA, VIRÁ

Carmen Fossari

UM TALHO NA NOITE
RASGOU O POEMA
AVASSALADOR O VENTO
QUE TROUXE A VISÃO
UMA CEGUEIRA PLANTEI
TECENDO RAMOS E FLORES
AS CORES NAÕ ESTAVAM
NA AQUARELA QUE INSISTIA
RETRATAR
AS CORES AQUARELARAM OUTRA GEOGRAFIA
CUJO PASSAPORTE ME É INTERDITO

A MINHA FRENTE SETE REFLEXOS
DAS IMAGENS ONDE ESTOU
SÃO IMAGENS
SÃO ONDE ESTOU
ONDE SOU ?
SOA A MUSICA DE MEUS ANCESTRAIS

SUPREMOS SERES DE NOITE E DIA
DE SOL E CHUVA
DE MAR E SAUDADES
DE SABEREM-SE EM AMOR
NO VOLTEIO DAS HORAS
ONDE A VIDA SÓ É PERMITIDA
EM ALEGRIA,
EM AMOR QUE SE CUMPRE
EM PEQUENAS OBJETIVIDADES
DOS AFETOS
REFAÇO
EM PEDAÇOS
DOS FRACTAIS REFLEXOS
O PERFIL ESPELHADO
A CABEÇA QUE INCLINO
O OMBRO PARALELO,OMBROS
O OLHAR QUE OLHAM MEUS OLHOS
TALVEZ UM POUCO VAZIOS
E ME VEJO RETRATADA
NA AQUARELA QUE JÁ NÃO CONSEGUIA
COLORIR
AS ÁGUAS DANÇAM NO PAPEL DA VIDA
E BEIJAM A GEOGRAFIA QUE VIRÁ
QUE VIRÁ
QUE VIRÁ.








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domingo, 1 de junho de 2008

a rosa louca



A rosa louca

carmen l. fossari

a rosa louca de pétalas em saias,
despiu a noite, desceu os espinhos
sangrou a madrugada e se fez dançar ,
aos ares o perfume inebriou o epaço
e se fez em tantas na mais profunda primavera
dançarina , pedaço do arco íris,
que não colhemos,
caule de estrelas orbitando aos pés,
estrelar ruelas, o roseiral é bailador.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

SEMENTEIRA



SEMENTEIRA

Carmen L. Fossari

A FLOR , PLURAL
A COR, EM MUITAS
AS VIDAS UNAS
UNI DUNI
TECEM
TAPETES ONDE
A PRIMAVERA
DEPOIS DE INVERNAIS
SEMANAS RETORNA.
NO FUNDO DO TEMPO,
NO TEMPLO DOS SONHOS
A VIDA É UMA
SEMENTEIRA QUE PLANTAMOS
QUE PLANTAMOS
ATAMOS OS FIOS FLORAIS
QUE PLANTAMOS
QUE AMAMOS.


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sexta-feira, 2 de maio de 2008

Quando Chove Assim



Quando Chove Assim

carmen l. fossari


Chove na ilha
O mar se regogiza
Água do mar
Ama a água que cai
Em milhões de gotas
Do céu, do alto
E mergulha
Água em água
A água nada na água

Pontes ligam a ilha
ao continente
Mas ela quer se desprender
Sair desta geografia
Estática e revolver
Suas baías
Até aonde o sol nasce.
Quando chove assim
Na noite de frio
A ilha quer navegar
Quer deixar suas dunas
Seguirem em rajadas de vento
E se unirem as desérticas areias
Do Atacama ou quem sabe até das mais distantes
No Saara.
Quando chove tão forte
As sete voltas da Lagoa
Querem fechar as vistas
De qualquer transeunte
E apenas desejam
Que a Lagoa lave,
Na aquática visita
Suas entranhas
Líquidas, que ao tempo
De não a cuidarem poluíram.
Assim chovendo, as árvores
Pitangueiras da Ponta do Sambaqui
Despontam e prometem que as flores brancas
Logo serão as vermelhas
Promessas do fruto nativo.
Nem de todo a chuva
Oclusa a Ilha,
Quando chove assim a Ilha
Recolhe-se, fica pensativa,
Toma decisões, deseja transformar-se
E se banha na água que beija
As poças d.aguas, as lagoas, todos os mares
Que é o Atlântico em sua coluna dorsal
Ao reverso do verso que ama o sol.
.

Convido que visite :
www.carmenfossari-armazemdapalavra.blogspot.com


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domingo, 20 de abril de 2008

AMOR





AMOR

carmen l. fossari
Abri todas as janelas
Da noite
As cortinas transparentes
Valsaram a brisa de
Todas as palavras com que
Segredo meu amor
Amor de tanto amar
Sangra o tempo que escorre
Escondido nas artérias
Fecho os olhos, na vã esperança
Que ele não nos espreite
Não nos encontre
E estejamos assim
Sem ontem ou amanhã
Simplesmente em amor
[De eu te amo, tu me amas]
E isto é tudo, sem nada mais
Que seja menos que
Eu, tu e amor
Que pulsam
Como sei os minutos
Como labaredas e tracejam
Todas as rotas
Permeamos os sonhos
Á Estrelar visão
Que vemos ao olhar
Mergulhos
E o corpo nosso
Soma,multiplicação

Maceramos na esculpida argila
Como fôramos das mãos de DA Vinci
Em mármore talhados
Mesmo sabedores que já não nos advoga
As imagens daquele vigor da tenra idade.

Rodamos
Rodamoinhos
Rodagigante
Rodapiáo
Rodaflores
Rodalua
Rodasol
Rodachuva
Rodamar
Rodaar
Rodamar
Habito agora no sem tempo
Laceada de tua presença
E tudo que se move e gira no universo
Avisto desde a janela desta noite
Onde o amor nos faz eternos.

dedico, aos tempos onde amar parece ter menos importância, a todos as pessoas que são capazes de tranquilamente amarem, e isto é tudo. cf.

imagem copiada O SERDOENTE BLOG.
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quarta-feira, 16 de abril de 2008

P'ALMA




P'ALMA

carmen l. fossari

SE SOUBESSE A PALMA DA MÃO
QUE AOS POETAS
ELA ACARICIA O VERSO
SEGURANDO OS TESOUROS DA NATUREZA
REVERBERANDO ALMAS
ELa TALVEZ MUDASSE SEU NOME
PARA HASTES DO CORAÇÃO

sábado, 12 de abril de 2008

ONDULAÇÕES




ONDULAÇÕES

carmen l. fossari


EM PROFUNDEZA
ONDULAM NAS ÁGUAS
O CALCÁRIO,
QUE SÃO TANTOS.
ESCULPE ONDULANTES
CONCHAS
ABRIGO DOS MOLUSCOS
DAS AGUAS FRIAS
DE CORRENTEZAS TANTAS,
OS HOMENS NA TERRA
TOMAM AS CONCHAS
PARA SEUS TETOS
TRITURAM AO CAL
ÀS INTEMPÉRIES PEDEM QUE SE RESGUARDE
AO SEGURO
DO MAR À TERRA PENSAM PROTEGER-SE
DA NATUREZA,
O HOMEM
TODOS OS HOMENS
PENSAM NÃO
SEREREM INCRUSTADOS
NA MESMA NATUREZA CIRCUNDANTE
TAL O MOLUSCO NA CONCHA
RECORTADA E BELA.
ENQUANTO AS ALGAS
MERGULHAM NAS AREIAS
E DANÇAM EMERGINDO
AS VENTANIAS
A LITANIA DA CHUVA
MACERA O DERRADEIRO SEGREDO:
SÓ AS CONCHAS
GUARDAM A MEMÓRIA DA POESIA

quarta-feira, 26 de março de 2008

SE



SE (II)

carmen l. fossari


Vi o lago , rebrilhando luas
E tentativas tuas
A borda das águas
Em unir os fragmentos
De tua imagem em estilhaços.

Na miragem de movimento
do ventos
Eras o contorno
Que quisera eu me emoldurasses
Do amor que se ama e nada mais
Fecharia o tempo na esquina do acaso
Abria em receber de ti
meu corpo teu

Só tua voz entoando
minotauros, trariam
novamente a tua imagem
E te veria a beira do lago
Traçado corpo talvez
O Pensador estátua, talvez Narciso
talvez Tu mesmo nú
Então diria ao meu ser
de tanto ver-te
verdes ramagens das aguas são as algas
e talvez não sois em querer
Narciso essencia do mito
Refratário que eu vi

Mas aqúatica criatura
de algas
de espumas
de tintas aquarelando
negativos,
e se aquático ser sois..
não o sereis do espelho o sujeito ...
apenas reflexo azulear
da marítma essência

visite o blog: www.carmenfossari-armazemdapalavra.blogspot.com



.

terça-feira, 25 de março de 2008

Comédia Dell Arte

Comédia Dell Arte

carmen l. fossari

Retalhei as mascaras dos seres
Que voam em representar
O que tu crês seres,
O que gostarias de ser,
embora ao teu íntimo sois
feliz em assim o seres,
O que tentas desesperadamente ser,
Embora na mais tranqula
Superfície de todas as águas
És como sois
Entrando aos veios do sol e
Mergulhando em escuridões,
como todos os seres humanos,
Apenas que representas
todos sonhos de não seres tu mesmo
num teatro de ego e piedade
Por ti que o fiz
das máscaras rompidas
Que talvez possa reconstituir
Na breve nova
Comédia da Vida
onde também sou Personagem

sexta-feira, 21 de março de 2008

POESIA



POESIA

carmen l. fossari

No dia internacional da poesia
Saúdo o corpo em movimento
Que antecede a palavra
Danço em louvor a audição
Que apreendeu os sons
Da terra mãe
Extasio a boca, de todos
Os afagos beijos
Que antecedem ao verbo
E clamo a
Vicente Huidobro
Quem sentenciou
Que o Homem
Fez a Língua perder
Sua natural vocação de
Aquática e acariciadora.

Refeitos de sustos
Da vida breve
Descobriu o homem o rio
De leito carregando
Sentidos
Atravessar a correnteza
Que separa a margem de um Ser até Outro
Foi o grande desafio de todas as geografias
A linguagem nasceu do mesmo tronco
Com várias ramas, de raiz primeira
A raiz da palavra onde o
Eu se escuta e diz ao outro
Que o escuta e diz á si, ao próximo
E , já em colméias de línguas
Os rios formaram o oceano
Das palavras ordenadas, coordenadas
Sujeito, singular, plural
Somar, dividir, multiplicar
Verbalizar, silenciar
Pensar
Do mar absoluto
Apenas Amar
Há mar
Há dentro de cada
Poeta e Poetisa,
A história das gramáticas
Subvertidas, aviltadas
Enobrecidas,
Que são estes escreventes
De versos, os de trabalho
Debruçados em palavras
Sempre na lírica sentença
De tocar a Alma da maior
Deusa profana das humanidades
A POESIA, a que nunca alcançamos
Embora em seu louvor
Tanto escrevemos.


21 Março 2008

segunda-feira, 10 de março de 2008

ROMÃ

ROMÃ
Carmen L. Fossari

A tez,levemente tesa,
as mãos abrindo o fruto maturado, da romã .
Todas as sementes, sementeiras idéias.

A romã, agora liquefeita, brincava com suas sílabas,
na boca do poeta, desgustando o maduro fruto.

Salivou antes de engolir ,
o formato novo das letras
do fruto em suas mãos a descrever,
a romã, fruta perdeu a forma,
a fôrma de frutácea
que era em se gostar
e galgou ao vento,
de todos os espaços.

As letras pinçadas do bisturi do poeta
Ao vento ele mesmo leu sua aventura literária
Alí na palma do coração
a nova palavra nascida da romã: AMOR.
Só decidiu , nem por isto ir á Roma,
desejou talvez,
a fonte dos desejos.
Mas isto já é outro versículo.

-
poema matreiro, nascido de um comentário em poema de João Marques Jacinto sobre o fazer poético. CF

sábado, 8 de março de 2008

Sorver...

carmen l. fossari

Brindo com alegria
os rios da infância
que ainda navego
Brindo com sofreguidão
nas espumas do mar ,
e em teus braços que me amparam
cor ambar ao sol poente
teu rosto contornando
eu e o mar
oceanamos


Brindo de solsaio ao tempo
que corre a apressar
minhas pequenas eternidades
ternura e texturas todas

Brindo de sangue e água
os mistérios que
me contaram na pia da religião
onde me afasto e me aproximo

Brindo ao amor
que é o vinho melhor do encontro
da entrega,
da espera que mature
cada dia ,cada noite
cada sílaba balbuciada
de uvas nacaradas
escorrendo sobre a noite
corpo de vinhedos
colhemos

Brindo a vida, no tabuleiro de xadrez
tentando inutilmente
vislumbrar as jogadas exatas
sigo, por todos os jogos, ruas
vielas, caminhos tortos

nos mapas que não sigo
me acompanhas

sei , sabes
sabor do vinho descendo
ao gole ávido, da vida
que celebro.

Brindemos!!!

sábado, 1 de março de 2008

Joal(h)erias



Joal(h)erias

carmen l. fossari

Pensou ser joalheiro,
das frases encadeadas, lapidou-as,
ao olhar em prisma de luz intensa.
A fogo, forjou o metal
incrustada a gema da pedra palavra
que são muitas em sujeitos e verbos
e uniu`a alquimia do verso
o brilhante reflexo de sua criação.
Anelou-se o poema jóia ,
gema lapidada,
antes da luva,
vesti de sua ourivesaria
o poema anelar
de cinco sentidos.


2 de março 2008

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

ANDAR DO OLHAR



ANDAR DO OLHAR

Carmen L. Fossari
De cerrados olhos, vejo entranhas,
navego rios abertos
fixo aos eixos das imagens
e elejo as que
supostamente referendam
meu estar
talvez em equivocada visão,
eu penso aquela sou.
As imagens que não toquei ,
não parei de olhar em fixo
sem descobrir o inimaginável
são películas,são membranas
são cortinas que vedam
Velam
o que não revelar ouso.

Pouso de ver ,
quem estou a pensar ser
E advogo favoravelmente
todas as reminiscências
na prancheta em perspectiva,
onde rascunho meu andar.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

( टी) एउ ALBÚM


T(EU) ALBÚM

carmen d.aranda fossari
ME FIZ RETRÁTIL
RETALHO DO MOMENTO
QUE NÃO COSTUREI
DE ALCANÇAR PRESENCIAR
E UNTADA DE CORES
REVELADAS ADENTREI
NO MÁGICO MUNDO DOS RETRATOS
ALÍ VI SOMBRAS DE UM PALCO
QUE DESEJEI VER
DA PLATÉIA UNIDA
EM ENCANTAMENTO
AS FOTOGRAFIAS
REVELADAS
ALGUMAS, NOS REVELAM
REFRATAIS SERES
QUE SOMOS AOS PEDAÇOS.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

MEDÍOCRES



Medíocres

Carmen L.Fossari

Aos tostões que tilintam
O olhar da usura
A capa da bondade
Tem rasgos e as feridas
Apodrecem
Inundada de pasmaceira
A olharem-se sem cessar
Nos espelhos que se lhe são tantos

As mulheres de pensamento curto
Da classe média em ascensão
De mais tilintares a obter
Admoestam a vida pelo umbigo
Aos fakes produtos
Do consumo exacerbado
São espectros
Perfumadas de nulidade
De vida frívola
Sem alam que as apiedem
São como inoportunas formigas
A carregarem casas adentro
O que nas costas do consumo
Se lhe cabem

Tenho medo da frivolidade
Sob mantos de benignos seres
Tão vazias as vidas
em nada combinam
Com o tanto que se lhes agregam
Na vã tentativa de se preencherem
Ao vendaval do consumo
Sabiamente orquestrando
Mesquinhez que entorpece
Qualquer tratativa de saberem
De si, dos outros
Ou das essências que nunca
Alcançam-lhe.


quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

É(S)

<strong>


É(S)

carmen d.aranda fossari


A febre de meu corpo
É dor

A alegria do carnaval
É ontem

O não verso para ti nascido
É ausência

O sol apagado
É hoje

Tecer de palavras
Reencontrar eu
Na epiderme tua
É sempre

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

NO SILÊNCIO

carmend.aranda fossari

No silêncio habitam
um lado o caos
rarefeito .
Estilhaçadas partículas
Encontram o segundo do desencontro.

No outro , o lado oposto,
melodias e cores,
a imagem que retorna.

Alí, aonde de olhar ,retomo
todos os teus seres
és eus, plural

E repleto de risos
todos os guizos
todos os risos
todos , todos, todos.

Pausa das sonoridades
voando, voando
ao ritmo do sem tempo.

Ventos, que voltarão breve
breve como uma semínima
pontuando o acorde
na esquina da melodia.

Casulo suspenso
romper,chegar ao compasso
E seremos música e dança,
Depois do silêncio que escutamos.


ilha 31 J. MMVIII


.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

VERSOS BREVES

carmend.aranda fossari


Versos Breves

I

Tão breves
que não cabem
as saudades.

II

Brevê


ultrassonicas
palavras
viajamos ao centro
dos eus .


III

BREVIÁRIO

A longa despedida
costurou o imediato
retorno.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Nuit Rouge




Nuit Rouge

carmend.aranda fossari


Brille la nuit
Et las fenêtres sont fermée
Tout pleine de toute les choses

Quelle, rose rouge
Est casse sur la nuit ?
Nuit Blanche,
Le flambeau de la nuit regarde moi
De nuit

Qui est dormant ?
Je ne sais pas

Ne sais pas
Sais ?

Je ?
Je ne dormirai pas
Sur la rose rouge casse

Je regarderai tout la nuit
la rouge nuit dans mon coeur.

St Etienne 14/9 2005

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

SEMENTAIS



SEMENTAIS

carmend.arandafossari

Mergulhantes em terras
Dormem as sementes
Uma grande máquina
Ecológica, auto- sustentável
Fabrica seu produto

Rompe a terra o braço verde
Beija o ar ,a folha primeira
Sentimentos de frutos e sombras
O tronco, o tempo o lapida

Um homem pensa no lucro
Os outros verdejam a dormir.

ovô.o

OVÔ.O

carmend.aranda fossari

I
OVAIS
LISOS ABRIGOS

II

PONTAS
RANHURAS
ROMPIDA A CASCA ,
A ASA ESTENDE
EM AMANHÃ SENDO
O VôO, QUE SERÃO MUITOS.


segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

NÉVOAS


Névoas

carmen fossari

Estalaram as estrelas nesta noite
Sob o manto da neblina
Que desceu vagarosamente
Na estrada que viajamos
Pouco vemos do percorrido até então
E vagamente uma luz anuncia
Uma estrada trégua a avançar
Visibilidade nula ,
Fecho na angustia de acompanhante
O foco da atenção sobre teu rosto
teu perfil recorta a noite
Da visão parca de olhar
Adivinho o contorno de teu rosto
Caminho que percorro tantas vezes,
As veias tesas,de alcançares
Seguir o traçado da estrada, que te impões
Ao meio ao caos
Minhas mãos tocam tuas
Serena o nevoeiro
Teu ser ao meu
De encantamento
Uma viela ao tempo
Sol e estrelares noites.
Ouvimos as estrelas ressoarem
Enquanto a neblina segue
A perseguir-nos


.


V E N T O

carmenfossari
V
Ventania na litania
Impalpável das membranas
Úteras que te constroem desde sempre
Argamassa de pesadas dores
Umbilical cordão da humanidade
Que aterra teu invólucro e te faz
Presa de ti mesmo
Desde o lado que mastigas
As migalhas da escuridão de outras pessoas
O olho que vislumbra da ampla claridade
A centelha oclusa em breu
Ao canto alojada sendo de outro ser
A tua mesma cicatriz de escuridão
Tento eu tentáculos atravessar
A cortina férrea,onde fincas teu estar.
Talvez eu mesma em crendo a claridade
Por tentar transpor esta barreira
Seja da instransponível mediação
A luz oclusa aterrada ao que passou.

E

Eu volteio o ponteiro do relógio
Insulto-lhe sua avidez exagerada
E tomada de insígnias da revolta
Ignoro-o na avidez de o deter
Driblo os minutos por segundos
Amo numa hora como por um ano
Sonho num instante uma eternidade
E às vezes de um momento
Sorvo a infinitude
Driblamos cada qual em seu papel
O relógio , um tirano obsessor
Cujo maior perigo que me induz
É seduzir-me cegamente
A navegar em suas artérias
Do tempo que não pára.

N

Nenhuma palavra em, língua alguma
Sequer uma vontade de a dizer
Que o silencio que habita
O meu momento é sagrado
E vêm desde os imemoriais tempos
Onde me habitei
Nas subaquáticas catedrais
De mares e ventos
Dos inquebrantáveis vidros
Dos espelhos de todos os côncavos
Sons que dormiram dentro das conchas do mar
Murmulhos e nenhuma palavra
Só o mar a ressonar as gaivotas livres
Que eu sonhara ser
Voando...
T
Talvez tivéramos sido felizes
Talvez
Também felizes
Talvez
Tivéramos sido
Talvez
Felizes
Uma vez
Talvez
O

Onde moram os ventos
Esconde-se a tempestade

pintura de joão werner


quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

LUAMAR, A LUA PRIMEIRA




quando eu amanheci , outro dia,
era aquarela e dança, água e rosa,
sol e pássaro.
o dia voou de meus alados olhos,
encostados na primeira lua,
desde sempre tatuando a beira de meu ser,
costurando todos os desejos em fio de prata,
macerando os cristais que irrompem a luz solar,
quando na esquina de meu ser
encontro os amanheceres namorando a lua vermelha e,
sou fogo e argila, ouro e cristal,
areia e vento.
sou tuas arestas de corpo e alma,
raízes de ti nascidas ,
que beijam o ventre de meu ser.


carmen fossari

LUA 2


quando a ilha teve sono, a lua inda sonolenta, solenemente antecipou-se, alguns desejos não podem tardar.
carmenfossari-ilha

LUA 3


a lua revestiu-se de humana máscara,pontuou suas arestas em arco e beijou o vácuo entre o breu e o homem, eu mergulhei aos luares lânguidos, e era da luz em mim, femina a mulher que tocou a borda da lua.

carmenfossari

LUA 4




a íngrime noite beirou , as amorosas rosas,e de uma de suas mãos côncavas, criou o centro da noite, como uma luz vermelha de amor, e pálida de saudades, seguiu a noite a girar nas pétalas das rosas.

carmen fossari

LUA NUA 5




cavalgar de corpo outro , na equina vontade que me plasma aos prados pratas, pintados na lua cheia, que azula o feixe de sonhos ,
carmenfossari

LUA 6



um dia a terra queria ser lua, a lua ser sol e sol ser a noite,o dia ser a sereia,a sereia ser areia,a areia ser o vento,o vento ser tão lento,como o itento de ser eu de mim,sem ais .

carmenfossari

LUA 7





se deus que é deus, zeus, todos os teus, todos os eus, descansou ao sétimo dia, porque eu partícula da ínfima parte do cosmos não haveria de parar na sétima lua de ecrever? C.est tout dans la nuit, nuit blanche,
et je regarde tout le flambeau de la nuit.
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carmen fossari