sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Chuva

Chuva

Carmen Fossari

A chuva estala pingos d.água
A madrugada almeja o sol do amanhecer
Previsão da meteorologia:
 estabilidade do clima, tempo bom!

Sombra? Só sob as copas das árvores
Tão poucas para tanto verão
É o desejo : sol intenso  para o dia nascente.
Mas...
Gota a gota , brincando de esconder
O som de tlins tlins no alumínio da janela
Traça uma visão aquática
 E oclusa a noite de suas vestes
céu de estrelas
 o Cruzeiro  do Sul, a Ursa Maior
Ah e Aldebarã!
Menor espaço entre o saltitar de pingos d' água.
Avisto a um canto  da sala
Uma sombrinha, silente !
Repleta dos monumentos de  Roma
Estampados sob um céu azul
Tão italiano.
Que breguice  - aqui na ilha com tantas imagens tão
Lindas...
Me absolvo desta aquisição  souvenir: bom deixar o coração escolher
Pelas recordações, pelos afetos .

E com a chuva afastando a ida à praia
Ponto a ponto  reconstruo a  tua imagem,
teus olhos  evoco.
Fecho os meus
E em cada canto da memória
Te edifico amorosamente
Um violino tece  músicas,
Verão estaçào dos breves aguaceiros,
Mas tu permanecerás!!!
Intenso , pois que
Povoas meu ser
Desde sempre , de todos os silêncios
De todas as sinfonias
Em teu olhar vive  o sol
Verde sol
Que a chuva esconde .

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Apresentação do espetáculo Ubu Rei no Teatro da UFSC

Apresentação do espetáculo Ubu Rei no Teatro da UFSC: Nos dias 11, 12 e 13 de novembro, o Teatro da UFSC será palco do espetáculo ?Ubu Rei?, com direção de Carmen Fossari e elenco formado por alunos da Oficina Permanente de Teatro do Departamento Artístico Cultural (DAC) da UFSC.

terça-feira, 1 de novembro de 2016





Novembro
Carmen Fossari

Novembramar

Novembrais
Antes do último mês
Do ano 16,
Quando o ódio forjou
Da escuridão o dia
Em noite interminável sem democracia
E inescrepulosos como bando de
Hienas
Eles com capuzes de sonoras panelas burguesas
gargalharam seu acordo espúrio-
Ter em mãos -o que as urnas não lhes concedeu
-o poder que emana do povo.
E feito algozes seus tentáculos de polvo
Teceram este longo tempo medieval
Que se esparramou na teocracia
E fez até da cidade maravilhosa
O cenário de um triste samba enrêdo
Onde os dízimos universais
em perplexidade se legitimaram
Para eles na ilha brasílica
os corjários astutos- de navios
navegantes à paraísos fiscais.
O estado serve para o que lhes convém
Sonegar impostos- educação para
Quem?
Não precisam de cidadãos livres
(mão de obra barata é o quanto lhes basta)
Encurtar das massas o que
aos pobres a lei
Se lhes assegurava,
Mesmo que ainda tão pouco
A maior concentração de renda em um país
Habita esta pátria , mas os astutos querem mais
Sangrar o aquífero Guarani
Entregar o Pré Sal.
Diminuir tudo que pode dar um mínimo de alento ao povo
Novembro, antes do último mês do ano 16.
Sim vivemos olimpíadas, paralimpíadas
E vivemos momentos de nos unirmos em praças públicas
Vigílias democráticas
Ah, mas temos esperança
Os estudantes ocupam
Seus sonhos -escolas livres
...então que venha dezembro... Em alvorada de
Novos sonhos coletivos
A luta recomeça!!!!!



quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Amor , avesso do verso

Amor , avesso do verso

Carmen Lúcia Fossari


Amo o que do amor a poesia ri
A lama
(Pouca)
Que da chuva
Respinga a poça

lançada na estrada
O quase tombo evitado
No equilíbrio do segundo
Que antecede a queda

O gole do café quente adoçado em
Equívoca flor de sal
-A estrela não vista pela nuvem travessa
Atravessando da visão a ausência dela

O ladrar assustador do cão
que surpreende e surge
Miúdo ,como se ao vê--lo
pressentíssemos
Miagens,
Não imagens,
Imagéticos miados!

Amo do amor
O caminho que ainda inexiste
E o que me desconstrói
Das amalgamadas certezas

Amo ,amo amo
Que o amor
Surpreende
Reinventa a mirada
E no frescor do descobrimento
Instaura a maior dádiva a
Dúvida!

Amo o frio na espinha dorsal
De tudo que desconcerta
E provoca o inusitado
Ah !! o amor é tão musical
não na escala , repetições
Permanência
Mas no silêncio
A pausa , o entremeio
Compõem sonoridades


Um jazz
Talvez ...

Um Mendelssohn tomado de encantamento
E suavidade
Se executado ,
brincando de ser drástico
Mesmo sem nunca deixar de...

Beirar a orla da suavidade.

Sim!O amor pode ser
Um improviso,
Um sorriso!
O amor de beijos e vinho
De afagos
Fogueira e água


Ao quadrante da alegria
o menino que te habita,
Águas circulares !
No hemisfério dos afetos
eis o homem.
Ao leste das
palavras
O amor
É ,
Também , um

Alvorecer.