quinta-feira, 5 de abril de 2012

DO SOL, DE VERDE.

DO SOL, DE VERDE.

Carmen Fossari

Olho a varanda
Inda que tímidos os
Raios d sol
Brincam de tocar aos vasos
Neles as plantas brincam de florescer
Um vermelho nas pétalas
Ao lado lilases e não mais cores
O inverno é para sermos como ursos
Pensam as flores.
E acabam sendo dadivosas
Deixam-nos os verdes
Aquarelando os concretos frios
Sobrepostas casas penduradas ao céu
Por fios de aço
Com janelas que esqueceram de olhar
As luas, todas as fases.

A rua escancara luminosidade
E o coração acelera por que
Agora dadivoso o sol abraça todo o corpo
E esquenta a saudade nascida
E faz a alma dançar
E no breve segundo
Transforma ao redor o concreto
Em árvores belas
Florestas
E já somos multidão

Escutando o canto
Entoadas loas
De almas e mistérios
De amor correndo
Da vida em milagre escorrendo
Aos veios do sangue verde
Auscultado o espírito de todas as árvores
Que habitam no silencio do mistério.

II

E agora é o centro do mundo
Na imagem de um pequeno raio de sol
Que transpassou na cidade
Varou a selva de concreto
E trouxe a infinda saudade
Da alma inteira da floresta dos verdes
Devastados verdes findos
Incógnita do amanhã


III

Ninguém conseguirá desvendar
Amanhã será o que há de ser
Seiva das árvores na multidão
Que habitam o mistério da vida
Pouco importa o amanhã
Hoje o sol aquece o verde
Rebrilham as gotas d, água.
Ainda haverá madrugada
Todos estes vultos concretos
Vagueiam ao sono
De sonolentas pessoas

A noite recorta vultos geométricos
Escondem a lua, mas abrigam tantos ninhos
A floresta de concreto zune os ventos
Que as almas das árvores querem voltar.


IV
Lorca já o tinha dito:
Verde que te quero Verde.


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terça-feira, 3 de abril de 2012

AMOR E PÍNTURA







AMOR E PINTURA

Carmenluciafossari


Um dia, com uma paleta
Nas mãos,
A olhar as porções de tinta a óleo
O pincel já mergulhado em terebintina
Na minha frente uma tela
Esticada na madeira ao quadro
O branco da tela e
Um convite imediato.
Deixasse-me em dança e movimentos
As cores para comporem
Um quadro

Queria meu eu um quadro amoroso
Que me dissesse do amor.
Pousou o pincel no tom cor de rosa
Olhei da janela do ateliê,
Que entrara por empréstimo e dádiva
Do pintor que manejava as tintas
E também ao amor com raridade.

E, entre os vidros da janela frontal, avistei as roseiras,
Também por minhas mãos não plantadas.
E afloradas de belezas as rosas vermelhas
Brilharam meu ser de emoção.

E das minhas mãos outra cor
Já no quadro a cor ,rosa apagou-se
E o vermelho dançou sobre a tela
Vibrou como vibra o amor
Em seu leito de beijos e almas
Corpos e estrelas.

E já a olhar o quadro acreditei
Estou a pintar o amor.
Mas, o espinho, que as rosas têm,
Mesmo quando olhadas, podem ferir a sangrar.

E o sangue na tela pintada
Dançava em vermelho com a mesma tinta do amor.
Dançaram então em meu quadro o amor e a dor
Ambos em êxtase e encontro.

Mas meu amor precisava de tela pintada de amor
E, sair, nadar, meu amor em quadro pintado queria,
Ao mar, o azul e amar.
Ao rio da distância e outra margem chegar.

E ao quadro chegou o azul, infinito.
Trouxe o verde, deixei-o em tinta
Esticada como se o prado ali no olhar complacente
Em perspectiva encontrasse a linha do horizonte.
Na pequena tela pintada
Salpiquei dois vultos, em um.

Detalhei corpos, os corpos que se
Hundiam nas tintas, e o vermelho a girar.
No meu quadro de amor, que pensei.

Pintei de verde, que o amor há de ser como
O campo, onde jorram flores mimosas.
E, deslizam em galopes os amantes
Que o vento, o tempo, tudo é pouco no amor
Que se cumpre.

E de meu quadro olhei ao céu em traço azul de tinta.
Deixei-o, como uma promessa.
Ali chegariam as mais belas estrelas
Quando o sol se deitar nos corpos que se encontram na madrugada,
E o amor é luz, e a lua caminha na ponta dos pés,
Só pra proteger a magia que o amor é mágico.

O azul, no mesmo tom do céu.
Pintei na base do quadro,
Ali, no traço, trouxe as águas dos rios.
E quis a mesma margem virar
Leito do rio, ao leito do amor,
Que o quero pintar em meu quadro

E das tintas ali a pintar, uma cor, de ausência de cor,
Vem pincelada pela vida, trazer um toque triste.
No quadro que apenas quero-o amoroso,
Esta nuvem ameaça, fica a pairar, mas a pinto,
Num canto do quadro.
E, deixo-a sob as vistas
Que há que se estar atenta, para que o amor
Não se evapore no vento
Não ultrapasse o campo de verdes do ser cada qual uno
Que as águas não afoguem o amor de tanto amor
Logo retorno ao ponto cor de rosa, tão pequeno, onde iniciei meu quadro e já o amplio...
Pois sem a ternura do amor meu quadro não se completa em cores.
O lilás contorna e trago-o a mesclar-se ao vermelho
Que o corpo namora alma no seu duplo amoroso
E termino de pintar o quadro.
Guardo a paleta da vida, as vistas de meu coração,
Para que possa dia a dia, aquarelar os meus sonhos.

domingo, 1 de abril de 2012

O AMOR

O AMOR

Carmen Fossari

Desconcerta o amor os labirintos que caminho,

Inutilmente tateio chãos e os pés retornam ,
Não há caminhos outros.

Escuridões e claros veios de meu ser.
Apenas a palavra cria ramas
me enleio nelas,
E vejo saltar de dentro de meu peito

Uma pequena ave que se afasta,
Lentamente.

Espreito a palavra abstrata
O sabor do querer é o que permanece.
O fogo que me queima é o mesmo
que me salva,
me anula.

Despir a noite, a lua nua
Vestir na aurora as asas de Phoenix
(que me empresta)
As cinzas ainda fumegam...