terça-feira, 3 de março de 2009

EXILIO



EXÍLIO
Carmen L. Fossari

FUGI DE TODOS OS CAMINHOS
QUE FOSTES POUCO A POUCO
E NEM TÃO POUCO
COLOCANDO.


ARAMES FARPADOS E PEDRAS.
DE FORMA ACINTOSA,
EM QUE PAIS ENCONTRATES ESTES MATERIAS?
IGNORO.

A LINGUA AONDE O VERBO NÃO
SE TORNA IMPERIOSA
PENSEI DE IGUAL IGNORAR.

MAS SOMOS HUMANAMENTE
FRÁGEIS, E A MIMESE
NÃO É PRIVILÉGIO DOS CAMALEÕES,
E A OSMOSE, UMA TATUAGEM MUTANTE.

QUANDO PERCEBI ERA NOITE
E JÁ TARDA O AMANHECER
HÁ UMA PRAÇA AO SUL DO MUNDO
ONDE RUIRAM AS PEDRAS
DAS CATEDRAIS AONDE
BORDEI EM PALAVRAS MINHA MELHOR LAVRA

SE NÃO DE OURIVESARIA
DE FIOS NOBRES TECIDOS
AO TEAR DA LISURA
DE UM ESTAR NO MUNDO SEM
PUDOR,
INTEIRA
SEM AMARRAS

QUE NÃO OS NÓS QUE ME ALÇAM
AS VELAS
AONDE VELEJO AS HORAS
AO MAR DA VIDA, NAVEGANTE

VI ASSOMBRADA , NAS BÚSSOLAS
INDOMÁVEIS
NÃO CONHECER A QUEM DE TODO
IMAGINAVA

NÃO CRUCIFICAREI
NEM PERSONAGEM REFÉM
VOU INTERPRETAR
APENAS O FIO QUE TECI
EM PALAVRAS A LUA VERMELHA
DE UM DIA
VEJO AGORA EM PEDAÇOS
SOB MEUS PÉS AO
EMARANHADO.

TODOS OS NÓS
SÃO O CONTORNO TEU
DE ESTAR CEGO,
DESDEMONA É FICÇÃO
E NUNCA DELA INTERPRETARIA
MEU ESTAR
NA PRAÇA AO SUL DO MUNDO
ME EXILO
E FAÇO DELE NOVA MATÉRIA DE POESIA

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