MEDÍOCRES



Medíocres

Carmen L.Fossari

Aos tostões que tilintam
O olhar da usura
A capa da bondade
Tem rasgos e as feridas
Apodrecem
Inundada de pasmaceira
A olharem-se sem cessar
Nos espelhos que se lhe são tantos

As mulheres de pensamento curto
Da classe média em ascensão
De mais tilintares a obter
Admoestam a vida pelo umbigo
Aos fakes produtos
Do consumo exacerbado
São espectros
Perfumadas de nulidade
De vida frívola
Sem alam que as apiedem
São como inoportunas formigas
A carregarem casas adentro
O que nas costas do consumo
Se lhe cabem

Tenho medo da frivolidade
Sob mantos de benignos seres
Tão vazias as vidas
em nada combinam
Com o tanto que se lhes agregam
Na vã tentativa de se preencherem
Ao vendaval do consumo
Sabiamente orquestrando
Mesquinhez que entorpece
Qualquer tratativa de saberem
De si, dos outros
Ou das essências que nunca
Alcançam-lhe.


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