sexta-feira, 4 de janeiro de 2008



V E N T O

carmenfossari
V
Ventania na litania
Impalpável das membranas
Úteras que te constroem desde sempre
Argamassa de pesadas dores
Umbilical cordão da humanidade
Que aterra teu invólucro e te faz
Presa de ti mesmo
Desde o lado que mastigas
As migalhas da escuridão de outras pessoas
O olho que vislumbra da ampla claridade
A centelha oclusa em breu
Ao canto alojada sendo de outro ser
A tua mesma cicatriz de escuridão
Tento eu tentáculos atravessar
A cortina férrea,onde fincas teu estar.
Talvez eu mesma em crendo a claridade
Por tentar transpor esta barreira
Seja da instransponível mediação
A luz oclusa aterrada ao que passou.

E

Eu volteio o ponteiro do relógio
Insulto-lhe sua avidez exagerada
E tomada de insígnias da revolta
Ignoro-o na avidez de o deter
Driblo os minutos por segundos
Amo numa hora como por um ano
Sonho num instante uma eternidade
E às vezes de um momento
Sorvo a infinitude
Driblamos cada qual em seu papel
O relógio , um tirano obsessor
Cujo maior perigo que me induz
É seduzir-me cegamente
A navegar em suas artérias
Do tempo que não pára.

N

Nenhuma palavra em, língua alguma
Sequer uma vontade de a dizer
Que o silencio que habita
O meu momento é sagrado
E vêm desde os imemoriais tempos
Onde me habitei
Nas subaquáticas catedrais
De mares e ventos
Dos inquebrantáveis vidros
Dos espelhos de todos os côncavos
Sons que dormiram dentro das conchas do mar
Murmulhos e nenhuma palavra
Só o mar a ressonar as gaivotas livres
Que eu sonhara ser
Voando...
T
Talvez tivéramos sido felizes
Talvez
Também felizes
Talvez
Tivéramos sido
Talvez
Felizes
Uma vez
Talvez
O

Onde moram os ventos
Esconde-se a tempestade

pintura de joão werner


Nenhum comentário: