sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

  Alcatéia (des) Humana




     





Alcatéia (des) Humana



Carmen Fossari



I

O poema ( que não escrevi )

Caiu palavra a palavra na história

Devorada por uma alcatéia humana.

Uivando em salas e jantares oficiosos

Sob o peso dos cofres públicos jantam

(Crianças têm fome)

Espúrios acordos, para a glória do

Além da mais valia!


II


A pós modernidade da mais valia!


III


O passo atrás para os grilhões

Férreos.

Mas eles sorriem entre eles

Para que, para quem?  um estado que oficializa ainda 

Que de forma torta , o ordenamento do humano?



IV

A  alcatéia humana quer o sangue!



V



Para que o lucro acentue ainda mais o país das 

Desigualdades

De tão intensas terras

Brasílis.

O desmonte do aparato do estado

Que tocou de leve no povo.


VI



Espanto, terror, a justiça que conclamamos

Vemos como folhas que o vento leva

 Vetado  o estado democrático

E o que sabíamos  dos filmes e livros

( ...o III Reich)

Estampa presença

No panorama de

Um estado de excessão!!

Ocluso Sol.


VII




Na linha de chegada

Medalha-se no facismo as vãs promessas

Há rios de poucos afluentes

Muito desvio , um oceano

De corruptíveis

Matilha (des) Humana



VIII


As palavras não traduzem

O ãnima  de muitos

O sonambulismo  de tantos

Incapazes de se saberem pequenas peças

De um ardiloso jogo de xadrez

Onde certamente quem perde dia a dia

Somos nós, nos dão um nó



IX




E o silêncio é cúmplice deste desmonte

Caminhamos aceleradamente para o caos


Voltamos a caminhar dentre os territórios

Que estão na linha da miserabilidade

Mas a TV oficial apregoa a retomada do

Crescimento ... 


Esta massa repulsante, uma escória
que se locupleta entre jantares. acordos e votos de

Cumplicidade no lodo da história.



X




Mas de uma esquina qualquer,

Uma ruela,

Uma vila

Na cidade  grande


De um olhar

Uma  palavra e mais outra,


 Palavras

 Costuram  um manto que toca

Na borda do horizonte

Uma  esperança que estende as mãos

E sorri, há entre a palavra e o sorriso

Um verbo , que evocamos : Lutar!

E mais outro: resistir!

E outro não: aceitar.Não !


Que  unid@s podemos  estancar esta alcatéia (dês)humana!








  









sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Chuva

Chuva

Carmen Fossari

A chuva estala pingos d.água
A madrugada almeja o sol do amanhecer
Previsão da meteorologia:
 estabilidade do clima, tempo bom!

Sombra? Só sob as copas das árvores
Tão poucas para tanto verão
É o desejo : sol intenso  para o dia nascente.
Mas...
Gota a gota , brincando de esconder
O som de tlins tlins no alumínio da janela
Traça uma visão aquática
 E oclusa a noite de suas vestes
céu de estrelas
 o Cruzeiro  do Sul, a Ursa Maior
Ah e Aldebarã!
Menor espaço entre o saltitar de pingos d' água.
Avisto a um canto  da sala
Uma sombrinha, silente !
Repleta dos monumentos de  Roma
Estampados sob um céu azul
Tão italiano.
Que breguice  - aqui na ilha com tantas imagens tão
Lindas...
Me absolvo desta aquisição  souvenir: bom deixar o coração escolher
Pelas recordações, pelos afetos .

E com a chuva afastando a ida à praia
Ponto a ponto  reconstruo a  tua imagem,
teus olhos  evoco.
Fecho os meus
E em cada canto da memória
Te edifico amorosamente
Um violino tece  músicas,
Verão estaçào dos breves aguaceiros,
Mas tu permanecerás!!!
Intenso , pois que
Povoas meu ser
Desde sempre , de todos os silêncios
De todas as sinfonias
Em teu olhar vive  o sol
Verde sol
Que a chuva esconde .