quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Amor , avesso do verso

Amor , avesso do verso

Carmen Lúcia Fossari


Amo o que do amor a poesia ri
A lama
(Pouca)
Que da chuva
Respinga a poça

lançada na estrada
O quase tombo evitado
No equilíbrio do segundo
Que antecede a queda

O gole do café quente adoçado em
Equívoca flor de sal
-A estrela não vista pela nuvem travessa
Atravessando da visão a ausência dela

O ladrar assustador do cão
que surpreende e surge
Miúdo ,como se ao vê--lo
pressentíssemos
Miagens,
Não imagens,
Imagéticos miados!

Amo do amor
O caminho que ainda inexiste
E o que me desconstrói
Das amalgamadas certezas

Amo ,amo amo
Que o amor
Surpreende
Reinventa a mirada
E no frescor do descobrimento
Instaura a maior dádiva a
Dúvida!

Amo o frio na espinha dorsal
De tudo que desconcerta
E provoca o inusitado
Ah !! o amor é tão musical
não na escala , repetições
Permanência
Mas no silêncio
A pausa , o entremeio
Compõem sonoridades


Um jazz
Talvez ...

Um Mendelssohn tomado de encantamento
E suavidade
Se executado ,
brincando de ser drástico
Mesmo sem nunca deixar de...

Beirar a orla da suavidade.

Sim!O amor pode ser
Um improviso,
Um sorriso!
O amor de beijos e vinho
De afagos
Fogueira e água


Ao quadrante da alegria
o menino que te habita,
Águas circulares !
No hemisfério dos afetos
eis o homem.
Ao leste das
palavras
O amor
É ,
Também , um

Alvorecer.