segunda-feira, 8 de março de 2010

8 de março


pintura de Pablo Picaso

8 DE MARÇO


8 DE MARÇO

carmen l. fossari


I
A POESIA PRIMEIRA

Um dia Camões ,
Camões das bravuras em palavras
esculpidas nas âncoras manoelinas
atravessou o além mar
e, além foi no mar imenso
que varadas terras impulsionaram
o novo mundo nascido.

II
A ETERNIDADE DOS VERSOS

Outro dia ele o Luiz Vaz decantou:
O AMOR É FOGO QUE ARDE SEM SE VER
e nos permitimos da poesia posta saborearmos
o nectar do prazer,antes que
em ferida aflorada, o sequencial verso:
É DOR QUE ARDE SEM SE VER.
Sábio poeta, das trovoadas e feitos ditos
das ainda hoje leituras que seus versos
nos sugerem.

III
O QUE...

Que o novo mundo do luso reino
plantou uma flor do láscio
que rebrota aos nascidos
em brasilis terras.
Que o novo mundo de franças,
e espanhas se adjuntaram
nas conquistas bravias
em pólvora descoberta,
costurando outras leguas
tantas línguas.

IV
O CONFRONTO PRIMEIRO

Demarcadas em sangue daquilo que
sem conquista se impoem na mira da
pesada artilharia,

Pois que das índias nações dizimimadas
consolidou-se o novo mundo,
mistura de terras, verdes,ouro
prata, no mar de sangue
sem que o sol permitisse
em oclusão abster-se
voltando de testemunha dia ao outro
e outro ano.

V
O MUNDO GIRA

Girou o sol, toda volta
amanhecendo uma era
O novo mundo,tramou-se.
Máquinas costuraram
modenidades tecidas
em matizes tão cinzas.
O tempo retalhado em pedaços
pulsando em batida veloz
selando a vida em vírgulas,
dependuradas em artérias
servir à industrialização!!!


VI

O SONHO
Difícil a vida as vezes
A quem ao pão o desejo
Sentindo aos bolsos esvaírem
tostões que o trabalho
não alcança.
Um dia nas terras que ainda hoje
forjada sob o manto do império,
pepetuam o mar de sangue
em dominarem ao desejo
serem mandatários do mundo,
ainda que ostentem em estátua
a Liberdade cimentada
em seu gigantismo,
operárias ao trabalho,
dezesseis horas ao dia
unidas, de assim o saberem
as melhores pretenderem
pararam as máquinas.

VII
O NOSSO NÃO É PELO SIM
O NOSSO SIM É PELO PÃO
Pensaram as operárias mulheres
unidas a acordarem
se aos dedos das mãos
são de dez em contados
ao produzirmos nas horas
somarmos em horas por dia
dez horas de produção!!!
Já estará de bom tratado.
Paradas mais de cem ao trabalho
Por sonharem ao desejo os doces sonhos
de conseguirem à casa chegarem,
olharem um filho e outra
menina recém nascida do ventre,
quiça
um beijo materno,
o amor ao tempo ao amor
paradas de olhos atentos
de medo tecendo suas auras
ousaram dizer , já não mais
apenas dez horas
ao dia
trabalharemos ao nosso melhor.

Estancadas ao sonho detido
Que até hoje nos chega
aquele sonho em amor
ERA FOGO QUE ARDE ,
Era o fogo que doia , ardia.
Numa tão "cristã" atitude, amando
a produção o patrão ,
sem pestanejar ateou
primeiro um inflamàvel estar
esbravejou no líquido ódio:
continuem e já verão!!
Nem virão, nem primavera,
depois do ferrolho trancado, portas
As saídas já sem
Ateou o fogo ,o animal
em besta fera vestido
naquelas ousadas MULHERES
que pararam a produção.

VIII

(ARDEU) O FOGO QUE VIRAM

Arde nossa alma ainda hoje
de véus, de marcas ao corpo,
de gritos,de estupros,sevicias
de MULHERES ao mundo prostradas.

O Sol a diário aparece ,ternuriza do frio
o calor, texturiza o Aço e o Mel
esta argamassa de que somos feitas
forjadas na história do mundo.
Mulheres, desde 8 de março jamais esta opressão!!
Que o amor preenche os pântanos
da história já vivida
Qua luta vilumbra a vida
em flores ao útero da terra.

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Neste dia, do ano de 1857, as operárias têxteis de uma fábrica de Nova Iorque entraram em greve, ocupando a fábrica, para reivindicarem a redução de um horário de mais de 16 horas por dia para 10 horas. Estas operárias que, nas suas 16 horas, recebiam menos de um terço do salário dos homens, foram fechadas na fábrica onde, entretanto, se declarara um incêndio, e cerca de 130 mulheres morreram queimadas.