domingo, 22 de junho de 2008

NOVENAS


Montijo









Tourada JMJ



Pitura de JMJ




São Pedro, obra do pintor poeta





autor do livro de poesias RECANTOS DA LUA( A LUA DAS NOSSAS MEMÓRIAS..)


EM MINHA INFÂNCIA ASSISTIA A UMA PEQUENA PROSCISSÃO DE VIZINHOS NA CIDADE DE BRUSQUE , QUANDO EM FÉRIAS E TAMBÉM NA ILHA, EMBORA COM MENOS FREQUÊNIA,ELA ADENTRAVA PELOS FLORIDOS JARDINS CAMINHANDO NOS CAMIHOS QUE DAVAM EM PEQUENAS ESCADAS DIANTE DE VARANDAS ENCERADAS E COM VASOS DE FOLHAGENS DE SAMAMBAIAS AOS CANTOS POSTADOS.

LEMBRO QUE ERAM CASAS COM ALMA DE PRIMAVERA, E OS GRUPOS DE VIZINHOS CERIMONIOSAMENTE PASSAVAM PELA PORTA PRINCIPAL, COMO QUEM ADENTRA NUMA CATEDRAL.

CARREGAVAM PAPÉIS IMPRESSOS E UM OU OUTRO ALGUMA IMAGEM.

TENTAVAM SEMPRE COOPTAR AS CRIANÇAS QUE FUGIM DE TAL CERIMôNIA, EU ERA UMA DESTAS CRIANÇAS,ATENTA A TEMPO DE FUGIR E ADENTRAR NUM UNIVERSO OUTRO ,QUE COMUMENTE ME PARECIA MAIS AGRADÁVEL E ALEGRE QUE A REUNIÃO DOS ADULTOS DE CASA EM CASA ,POR NOVE DIAS .ERAM AS NOVENAS NOTURNAS.

ALÍ CERTAMENTE ESTAVA A FÉ NA VIDA E TODO OS MêDOS, AS ESPERANÇLAS ERAM DEPOSITADAS EM LADAINHAS REPETIDAS ,NOVE NOITES, NOVE PRECES, NOVE PROSCISSÕES DE REZAS TALVEZ, AS MESMAS REPETIDA EM VÁRIAS TRADUÇÕES,MUNDOS AFORAS POR TANTAS BOCAS E MÃOS LAMURIOSAS.

AINDA HOJE DAS NOVENAS ME AFASTO QUANDO PROCURADA AO EDIFICIO ONDE MORO, MA INTENÇÃO DE FORMATAR A FÉ A ANDAR NA ARQUITETURA PRISIONAL DA DITA MODERNIDADE DE ANDAR A ANDAR,EMBORA HOJE COMPREENDA QUE OS RITUAIS DE VIVER SÃO CULTURIAS E EM ALGUNS CASOS OPCIONAIS.

MAS CONTRADITORIAMENTE , ME VI A ESCREVER NOVE POEMAS EM VERSOS LIVRES, COM INTUITO MENOS SAGRADO CERTAMENTE E RESOLVI DENOMINAR NOVENA, E ME VI COMO AO CENTRO DO
PATHOS
, ENTRE O INUSITADO DE ESCREVER EM POESIA UMA NOVENA, QUE NADA PEDISSE, QUE NADA AGRADECESSE, QUE NADA PRETENDESSE SENÃO AO MOMENTO DADO VERSAR LIVREMENTE EM TORNO DE UM ANIVERSÁRIO, QUE PARECEU-ME UMA FORMA PRAZEROSA DE PRESENTEAR UM POETA.

E AO DIA DO NASCIMENTO DELE POSTO, QUE CHEGUE AO MONTIJO A NOVENA, E COMO TODO VÃO MORTAL TATEIA ENTRE O SAGRADO E O PROFANO... FAREI ENTÃO UMA PEQUENA VIA CRUCIS DE IMAGENS AO ENTORNO DO ANIVERSARIANTE:
o Menino do Montijo, POETA João Marques Jacinto,

FELIZ ANIVERSÁRIO!

bjs

Carmen

UM

UM

Carmen l. fossari

TUDO SERÁ SOMA
TUDO SERÁ SUBTRAÍDO
ALGO SE MULTIPLICARÁ
MUITO SERÁ DIVIDIDO
A IGUALDADE EQUAÇÃO DIFÍCIL
O QUE DE FATO CONTAR
NÃO SOMA
ÀS VEZES PODE SUMIR
O QUE DE VONTADE FICAR
POR CONQUISTA TECIDA
SERÃO DIVIDENDOS
NÃO DIVISÍVES
SE PARES
ÍMPARES
EM CADA SER
TANTAS FRAÇÕES
MILHÕES DE HIPÓTESES
E UMA SÓ RAZÃO
DERROTAR TODAS AS EQUAÇÕES
E ABRIR O CORPO À MATEMÁTICA
DOS AFETOS
DOS FEITOS
DOS CORPOS TATUADOS
NA DANÇA DOS PARES
2 E 2 E SEGUE A
INFINITA MÚSICA
SOLFEJANDO
O NASCER DO MENINO
O HOMEM O REENCONTRA
O PERDE
O IGNORA
O RESGATA AMADURECE
A VIDA E AS RAÍZES O PRENDEM
ENQUANTO OS BRAÇOS EM FOLHAS VERDES
O CONVIDAM AO UNIVERSO
AO HORIZONTE
AO INFINITO...


22 DE JUNHO

NOVENA

DOIS

Carmen Lucia Fossari


Lentamente a terra caminhou
Preguiçosa
Esgueirou-se na ponta dos pés
Encontrou a borda da lua
Clara, cheia, prata e ouro
Era a lua e era o sol
Era a fusão do dia e da noite
O milagre da vida
Carregado nas mãos
Ágeis do tempo
Que o convidavam a nascer
Ao menino, que chegava
Só as torres da matriz
Quebraram o silêncio
Secular de Montijo
E o rio riu da preguiça da terra
Dois estava quase se transformando em
Um e a mãe do menino
Mãos ao ventre
Sorriu .

21 de Junho 2008

NOVENA

TRÊS

carmen l. fossari

O triangular calendário
Deixou todas as folhas
Irem ao chão.
Três ficaram
A se contar os números
20
21
E
22
Depois o mistério
Seguirá ao rio
E a vida eclodirá
Na fotossíntese
De esperas
Encontros
Desencontros
Caminhos
Uma viagem
A ser vista da Janela d.alma.


Ilha madrugada 20 Junho 2008

NOVENA

QUATRO

carmen l. fossari

DIAS DOIS EM PAR
QUE SOIS AO SER
QUATRO EM ESPERA
DEMARCADA

IMPAR DIA MENOS
E O TRÊS
MAIS APROXIMARÁ
NASCER O DIA QUE
VIRÁS AO SEIO DA TERRA

EM PARES DOIS
PERFIL NA LINHA POSTA
2 E 2
NO MÊS DE SANTOS
ANTONIO, JOÃO E PEDRO

DOS PESCADORES PADROEIROS
O ÚLTIMO SANTO CITADO
É NA ILHA DE FLORIPA
ALEM PADROEIRO AMIGO.

NA CIDADE BELA EDIFICADA
EM HISTÓRIAS, A LISBOA
PORTUGUESA
O PRIMEIRO SANTO
DOA O NOME FESTEJADO
QUE A MATIZA DE AFETOS
AOS ARREDORES DO TEJO

EM SANTO AO SER O DO MEIO
NAS POPULARES FESTAS
DE PORTUGAL E BRASIL

JOÃO EMPRESTA O NOME
A QUEM POR PERTO
AVIZINHA A DATA DE SEU NASCIMENTO

MAS AO NOME DE SANTO MATIZADO
SANTIDADE NÃO É GARANTIDA
QUE A VIDA É UMÁ A CORDA BAMBA
NO VENTO
NA FINA LAMINA QUE CORTA
OS VEIOS DO SAGRADO E PROFANO


XVIII VI MMVIII

NOVENA

CINCO

carmen l. fossari

CINCO TEM O MISTÉRIO
DE SER COMO O VULCÃO EM ERUPÇÃO
OU APENAS A PEDRA NO JARDIM
SENDO EM SI SEM O SABER
E SENDO PLENA
SE LAPIDADA OU
NATUREZA BRUTA

CINCO SE APROXIMA AOS DEDOS DA MÃO FECHADOS
UMA CONCHA FORMADA
UMA METÁFORA
SEGUNDO NOS CONTAM OS MAIAS
UNIDADE QUE REPRESENTA
A CRIAÇÃO DO UNIVERSO.

A CONCHA DA MÃO EM CINCO
AOS DEDOS FECHADOS
CONTÉM A VIDA QUE ESTEVE
ALÍ NO INÍCO DOS TEMPOS

O UM MENOS
DO VAZIO ENTRE OS DEDOS
E A PALMA DA MÃO FECHADA
NUNCA O ZERO!

NA NOVENA AO POETA
O CINCO
ENTRE AS ERUPÇÕES CALOROSAS
DOS VULCÕES
E A SABEDORIA DAS PEDRAS
CONTABILIZA OS DIAS DA ESPERA
PARA O MENINO NASCER

O CINCO
PARTINDO DA VIDA
AQUI É O SOL ESTRELAR
ESPALMADO,ESPARRAMANDO
A ALMA TODAS AS LUAS
PENDURADA NO VARAL DOS SONHOS
ENTRE PANOS BORDADOS
E O UNIVERSO QUE GIRA



XVII VI MMVIII

ILHA


.

NOVENA

Seis

Carmen l. fossari

Os minutos galopam ao prado
No relógio verde do tempo
Um ventre tateia o afeto
A mão da mãe é d seda.

Semana menos dia
O campanário espia

A casa onde a avó
seduz o saber
é catedral do amor
A avó
Sorri sozinha
Já estará o menino
Que aos mimos
Prenderei nas rendas
Uma teia de saberes
Pensa da sala de diretora
Do Liceu, tão seu,
Meu ,diz a avó para si.

E a música toma a noite
De paterna presença
No sexto dia de espera
No tique taque dos prados
Nos verdes amanheceres


XVI VI MMVIII

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NOVENA

SETE

SETE DIAS

CARMEN L. FOSSARI

15 DE JUNHO 2008


SE TE DIAS
QUE LHE FALTAM
OUTROS TANTO QUE LHE SOBRAM
A SEMANA ASSIM OS CONTA
CONTE UM CONTO
DESTA ESPERA
SE O QUERES SETE FASES
OUTRAS VEZES SETE RIOS
QUE PASSARÃO TAMBÉM OS SETE
SEM ANTES QUE NASÇA O MENINO
HÁ SABERES QUE ILUMINAM
SENTE QUEM LÊ A HISTÓRIA
MAS AINDA MAIS QUE O SABER
NA ALMA A FORÇA DE TRANSMUTAR
OS CAMINHOS SE COLOCAM
MAS NADA NOS DETERMINA MAIS
QUE A VONTADE DE NASCER A CADA SEGUNDO NOVO
QUE INVENTAMOS , QUE DETERMINAMOS
EIS O PORQUE DA RAZÃO SUBJUGADA A EMOÇÃO.
SETE DIAS RECRIAMOS A CONSTRUÇÃO DE NOSSO SER




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NOVENA

OITO

Carmen Lucia Fossari

OITO INFINITO O NÚMERO
SEMANA CHEIA MAIS UM DIA
UMA NOITE
QUE SOMADA
PROMETERÁ A AURORA
AO DIA DE NASCER CELEBRAR
EM OITO FINITO NO INFINDO
RIO, NAVEGA O TEMPO DE
EM PROMESSA RENSACER


14 de Junho 2008 ILHA

NOVENA

NOVENA , VERSOS LIVRES

NOVE


CARMEN L. FOSSARI

EM NOVE DIAS ,UM DIA
UM DIA , TODA ALEGRIA
PORTAS FECHADAS
AO IDO
PARTIDO
NAS MÃOS
UM RAMO
DE FLORES
TERRA A VISTA
NASCERÁ O MENINO
O MENINO HOMEM
OUTRA VEZ NASCERÁ
ADULTO, LIBERTÁRIO
NO RIO QUE FLUI
AS AGUAS DE SER FELIZ


13 DE junho ilha MMVIII

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terça-feira, 3 de junho de 2008

OUTRO DIA, VIRÁ

Retrato de Jeanne Hébuterne , Modigliani

OUTRO DIA, VIRÁ

Carmen Fossari

UM TALHO NA NOITE
RASGOU O POEMA
AVASSALADOR O VENTO
QUE TROUXE A VISÃO
UMA CEGUEIRA PLANTEI
TECENDO RAMOS E FLORES
AS CORES NAÕ ESTAVAM
NA AQUARELA QUE INSISTIA
RETRATAR
AS CORES AQUARELARAM OUTRA GEOGRAFIA
CUJO PASSAPORTE ME É INTERDITO

A MINHA FRENTE SETE REFLEXOS
DAS IMAGENS ONDE ESTOU
SÃO IMAGENS
SÃO ONDE ESTOU
ONDE SOU ?
SOA A MUSICA DE MEUS ANCESTRAIS

SUPREMOS SERES DE NOITE E DIA
DE SOL E CHUVA
DE MAR E SAUDADES
DE SABEREM-SE EM AMOR
NO VOLTEIO DAS HORAS
ONDE A VIDA SÓ É PERMITIDA
EM ALEGRIA,
EM AMOR QUE SE CUMPRE
EM PEQUENAS OBJETIVIDADES
DOS AFETOS
REFAÇO
EM PEDAÇOS
DOS FRACTAIS REFLEXOS
O PERFIL ESPELHADO
A CABEÇA QUE INCLINO
O OMBRO PARALELO,OMBROS
O OLHAR QUE OLHAM MEUS OLHOS
TALVEZ UM POUCO VAZIOS
E ME VEJO RETRATADA
NA AQUARELA QUE JÁ NÃO CONSEGUIA
COLORIR
AS ÁGUAS DANÇAM NO PAPEL DA VIDA
E BEIJAM A GEOGRAFIA QUE VIRÁ
QUE VIRÁ
QUE VIRÁ.








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domingo, 1 de junho de 2008

a rosa louca



A rosa louca

carmen l. fossari

a rosa louca de pétalas em saias,
despiu a noite, desceu os espinhos
sangrou a madrugada e se fez dançar ,
aos ares o perfume inebriou o epaço
e se fez em tantas na mais profunda primavera
dançarina , pedaço do arco íris,
que não colhemos,
caule de estrelas orbitando aos pés,
estrelar ruelas, o roseiral é bailador.