sexta-feira, 2 de maio de 2008

Quando Chove Assim



Quando Chove Assim

carmen l. fossari


Chove na ilha
O mar se regogiza
Água do mar
Ama a água que cai
Em milhões de gotas
Do céu, do alto
E mergulha
Água em água
A água nada na água

Pontes ligam a ilha
ao continente
Mas ela quer se desprender
Sair desta geografia
Estática e revolver
Suas baías
Até aonde o sol nasce.
Quando chove assim
Na noite de frio
A ilha quer navegar
Quer deixar suas dunas
Seguirem em rajadas de vento
E se unirem as desérticas areias
Do Atacama ou quem sabe até das mais distantes
No Saara.
Quando chove tão forte
As sete voltas da Lagoa
Querem fechar as vistas
De qualquer transeunte
E apenas desejam
Que a Lagoa lave,
Na aquática visita
Suas entranhas
Líquidas, que ao tempo
De não a cuidarem poluíram.
Assim chovendo, as árvores
Pitangueiras da Ponta do Sambaqui
Despontam e prometem que as flores brancas
Logo serão as vermelhas
Promessas do fruto nativo.
Nem de todo a chuva
Oclusa a Ilha,
Quando chove assim a Ilha
Recolhe-se, fica pensativa,
Toma decisões, deseja transformar-se
E se banha na água que beija
As poças d.aguas, as lagoas, todos os mares
Que é o Atlântico em sua coluna dorsal
Ao reverso do verso que ama o sol.
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www.carmenfossari-armazemdapalavra.blogspot.com


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