sexta-feira, 21 de março de 2008

POESIA



POESIA

carmen l. fossari

No dia internacional da poesia
Saúdo o corpo em movimento
Que antecede a palavra
Danço em louvor a audição
Que apreendeu os sons
Da terra mãe
Extasio a boca, de todos
Os afagos beijos
Que antecedem ao verbo
E clamo a
Vicente Huidobro
Quem sentenciou
Que o Homem
Fez a Língua perder
Sua natural vocação de
Aquática e acariciadora.

Refeitos de sustos
Da vida breve
Descobriu o homem o rio
De leito carregando
Sentidos
Atravessar a correnteza
Que separa a margem de um Ser até Outro
Foi o grande desafio de todas as geografias
A linguagem nasceu do mesmo tronco
Com várias ramas, de raiz primeira
A raiz da palavra onde o
Eu se escuta e diz ao outro
Que o escuta e diz á si, ao próximo
E , já em colméias de línguas
Os rios formaram o oceano
Das palavras ordenadas, coordenadas
Sujeito, singular, plural
Somar, dividir, multiplicar
Verbalizar, silenciar
Pensar
Do mar absoluto
Apenas Amar
Há mar
Há dentro de cada
Poeta e Poetisa,
A história das gramáticas
Subvertidas, aviltadas
Enobrecidas,
Que são estes escreventes
De versos, os de trabalho
Debruçados em palavras
Sempre na lírica sentença
De tocar a Alma da maior
Deusa profana das humanidades
A POESIA, a que nunca alcançamos
Embora em seu louvor
Tanto escrevemos.


21 Março 2008

3 comentários:

joão m. jacinto & poemas disse...

Escrevo versos, poemas,
mas há quem seja a própria poesia!

Parabéns!


Feliz dia,
à vida que se quer feliz e poética!

bj,

jmj

carmen fossari disse...

João
Se o querer bastasse
valsaria aos acordes
de Strauss,não de roupas
portentosas, de outros tempos
e salões , que nunca os habitei senão aos filmes reinvetados
E desprovida de todos apendices do ter, seria infinitamente feliz
entre as estrelares habitantes
dos cosmos
e já seria partícula, átomo
valsando sons refratários.
Mas teria tocado na borda das
infindas constelações e em poema eu já não necessitaria nem de palavras que a Poesia costurava meus pedaços de tudo desprovida, e reinventava meu ser em ser Poema.
Então em sendo lá ao cosmos um poema, cintilaria,que aos mapas da astrologia naõ desapercebidos ficassem.
E ali um poema te abraçava, tu de mapas imareados, e bússola dos astros, ponto convergente da POESIA.


Obrigada,


bj
clf

carmen fossari disse...

..não desapercebidos ficasse