quarta-feira, 26 de março de 2008

SE



SE (II)

carmen l. fossari


Vi o lago , rebrilhando luas
E tentativas tuas
A borda das águas
Em unir os fragmentos
De tua imagem em estilhaços.

Na miragem de movimento
do ventos
Eras o contorno
Que quisera eu me emoldurasses
Do amor que se ama e nada mais
Fecharia o tempo na esquina do acaso
Abria em receber de ti
meu corpo teu

Só tua voz entoando
minotauros, trariam
novamente a tua imagem
E te veria a beira do lago
Traçado corpo talvez
O Pensador estátua, talvez Narciso
talvez Tu mesmo nú
Então diria ao meu ser
de tanto ver-te
verdes ramagens das aguas são as algas
e talvez não sois em querer
Narciso essencia do mito
Refratário que eu vi

Mas aqúatica criatura
de algas
de espumas
de tintas aquarelando
negativos,
e se aquático ser sois..
não o sereis do espelho o sujeito ...
apenas reflexo azulear
da marítma essência

visite o blog: www.carmenfossari-armazemdapalavra.blogspot.com



.

terça-feira, 25 de março de 2008

Comédia Dell Arte

Comédia Dell Arte

carmen l. fossari

Retalhei as mascaras dos seres
Que voam em representar
O que tu crês seres,
O que gostarias de ser,
embora ao teu íntimo sois
feliz em assim o seres,
O que tentas desesperadamente ser,
Embora na mais tranqula
Superfície de todas as águas
És como sois
Entrando aos veios do sol e
Mergulhando em escuridões,
como todos os seres humanos,
Apenas que representas
todos sonhos de não seres tu mesmo
num teatro de ego e piedade
Por ti que o fiz
das máscaras rompidas
Que talvez possa reconstituir
Na breve nova
Comédia da Vida
onde também sou Personagem

sexta-feira, 21 de março de 2008

POESIA



POESIA

carmen l. fossari

No dia internacional da poesia
Saúdo o corpo em movimento
Que antecede a palavra
Danço em louvor a audição
Que apreendeu os sons
Da terra mãe
Extasio a boca, de todos
Os afagos beijos
Que antecedem ao verbo
E clamo a
Vicente Huidobro
Quem sentenciou
Que o Homem
Fez a Língua perder
Sua natural vocação de
Aquática e acariciadora.

Refeitos de sustos
Da vida breve
Descobriu o homem o rio
De leito carregando
Sentidos
Atravessar a correnteza
Que separa a margem de um Ser até Outro
Foi o grande desafio de todas as geografias
A linguagem nasceu do mesmo tronco
Com várias ramas, de raiz primeira
A raiz da palavra onde o
Eu se escuta e diz ao outro
Que o escuta e diz á si, ao próximo
E , já em colméias de línguas
Os rios formaram o oceano
Das palavras ordenadas, coordenadas
Sujeito, singular, plural
Somar, dividir, multiplicar
Verbalizar, silenciar
Pensar
Do mar absoluto
Apenas Amar
Há mar
Há dentro de cada
Poeta e Poetisa,
A história das gramáticas
Subvertidas, aviltadas
Enobrecidas,
Que são estes escreventes
De versos, os de trabalho
Debruçados em palavras
Sempre na lírica sentença
De tocar a Alma da maior
Deusa profana das humanidades
A POESIA, a que nunca alcançamos
Embora em seu louvor
Tanto escrevemos.


21 Março 2008

segunda-feira, 10 de março de 2008

ROMÃ

ROMÃ
Carmen L. Fossari

A tez,levemente tesa,
as mãos abrindo o fruto maturado, da romã .
Todas as sementes, sementeiras idéias.

A romã, agora liquefeita, brincava com suas sílabas,
na boca do poeta, desgustando o maduro fruto.

Salivou antes de engolir ,
o formato novo das letras
do fruto em suas mãos a descrever,
a romã, fruta perdeu a forma,
a fôrma de frutácea
que era em se gostar
e galgou ao vento,
de todos os espaços.

As letras pinçadas do bisturi do poeta
Ao vento ele mesmo leu sua aventura literária
Alí na palma do coração
a nova palavra nascida da romã: AMOR.
Só decidiu , nem por isto ir á Roma,
desejou talvez,
a fonte dos desejos.
Mas isto já é outro versículo.

-
poema matreiro, nascido de um comentário em poema de João Marques Jacinto sobre o fazer poético. CF

sábado, 8 de março de 2008

Sorver...

carmen l. fossari

Brindo com alegria
os rios da infância
que ainda navego
Brindo com sofreguidão
nas espumas do mar ,
e em teus braços que me amparam
cor ambar ao sol poente
teu rosto contornando
eu e o mar
oceanamos


Brindo de solsaio ao tempo
que corre a apressar
minhas pequenas eternidades
ternura e texturas todas

Brindo de sangue e água
os mistérios que
me contaram na pia da religião
onde me afasto e me aproximo

Brindo ao amor
que é o vinho melhor do encontro
da entrega,
da espera que mature
cada dia ,cada noite
cada sílaba balbuciada
de uvas nacaradas
escorrendo sobre a noite
corpo de vinhedos
colhemos

Brindo a vida, no tabuleiro de xadrez
tentando inutilmente
vislumbrar as jogadas exatas
sigo, por todos os jogos, ruas
vielas, caminhos tortos

nos mapas que não sigo
me acompanhas

sei , sabes
sabor do vinho descendo
ao gole ávido, da vida
que celebro.

Brindemos!!!

sábado, 1 de março de 2008

Joal(h)erias



Joal(h)erias

carmen l. fossari

Pensou ser joalheiro,
das frases encadeadas, lapidou-as,
ao olhar em prisma de luz intensa.
A fogo, forjou o metal
incrustada a gema da pedra palavra
que são muitas em sujeitos e verbos
e uniu`a alquimia do verso
o brilhante reflexo de sua criação.
Anelou-se o poema jóia ,
gema lapidada,
antes da luva,
vesti de sua ourivesaria
o poema anelar
de cinco sentidos.


2 de março 2008