quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

NO SILÊNCIO

carmend.aranda fossari

No silêncio habitam
um lado o caos
rarefeito .
Estilhaçadas partículas
Encontram o segundo do desencontro.

No outro , o lado oposto,
melodias e cores,
a imagem que retorna.

Alí, aonde de olhar ,retomo
todos os teus seres
és eus, plural

E repleto de risos
todos os guizos
todos os risos
todos , todos, todos.

Pausa das sonoridades
voando, voando
ao ritmo do sem tempo.

Ventos, que voltarão breve
breve como uma semínima
pontuando o acorde
na esquina da melodia.

Casulo suspenso
romper,chegar ao compasso
E seremos música e dança,
Depois do silêncio que escutamos.


ilha 31 J. MMVIII


.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

VERSOS BREVES

carmend.aranda fossari


Versos Breves

I

Tão breves
que não cabem
as saudades.

II

Brevê


ultrassonicas
palavras
viajamos ao centro
dos eus .


III

BREVIÁRIO

A longa despedida
costurou o imediato
retorno.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Nuit Rouge




Nuit Rouge

carmend.aranda fossari


Brille la nuit
Et las fenêtres sont fermée
Tout pleine de toute les choses

Quelle, rose rouge
Est casse sur la nuit ?
Nuit Blanche,
Le flambeau de la nuit regarde moi
De nuit

Qui est dormant ?
Je ne sais pas

Ne sais pas
Sais ?

Je ?
Je ne dormirai pas
Sur la rose rouge casse

Je regarderai tout la nuit
la rouge nuit dans mon coeur.

St Etienne 14/9 2005

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

SEMENTAIS



SEMENTAIS

carmend.arandafossari

Mergulhantes em terras
Dormem as sementes
Uma grande máquina
Ecológica, auto- sustentável
Fabrica seu produto

Rompe a terra o braço verde
Beija o ar ,a folha primeira
Sentimentos de frutos e sombras
O tronco, o tempo o lapida

Um homem pensa no lucro
Os outros verdejam a dormir.

ovô.o

OVÔ.O

carmend.aranda fossari

I
OVAIS
LISOS ABRIGOS

II

PONTAS
RANHURAS
ROMPIDA A CASCA ,
A ASA ESTENDE
EM AMANHÃ SENDO
O VôO, QUE SERÃO MUITOS.


segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

NÉVOAS


Névoas

carmen fossari

Estalaram as estrelas nesta noite
Sob o manto da neblina
Que desceu vagarosamente
Na estrada que viajamos
Pouco vemos do percorrido até então
E vagamente uma luz anuncia
Uma estrada trégua a avançar
Visibilidade nula ,
Fecho na angustia de acompanhante
O foco da atenção sobre teu rosto
teu perfil recorta a noite
Da visão parca de olhar
Adivinho o contorno de teu rosto
Caminho que percorro tantas vezes,
As veias tesas,de alcançares
Seguir o traçado da estrada, que te impões
Ao meio ao caos
Minhas mãos tocam tuas
Serena o nevoeiro
Teu ser ao meu
De encantamento
Uma viela ao tempo
Sol e estrelares noites.
Ouvimos as estrelas ressoarem
Enquanto a neblina segue
A perseguir-nos


.


V E N T O

carmenfossari
V
Ventania na litania
Impalpável das membranas
Úteras que te constroem desde sempre
Argamassa de pesadas dores
Umbilical cordão da humanidade
Que aterra teu invólucro e te faz
Presa de ti mesmo
Desde o lado que mastigas
As migalhas da escuridão de outras pessoas
O olho que vislumbra da ampla claridade
A centelha oclusa em breu
Ao canto alojada sendo de outro ser
A tua mesma cicatriz de escuridão
Tento eu tentáculos atravessar
A cortina férrea,onde fincas teu estar.
Talvez eu mesma em crendo a claridade
Por tentar transpor esta barreira
Seja da instransponível mediação
A luz oclusa aterrada ao que passou.

E

Eu volteio o ponteiro do relógio
Insulto-lhe sua avidez exagerada
E tomada de insígnias da revolta
Ignoro-o na avidez de o deter
Driblo os minutos por segundos
Amo numa hora como por um ano
Sonho num instante uma eternidade
E às vezes de um momento
Sorvo a infinitude
Driblamos cada qual em seu papel
O relógio , um tirano obsessor
Cujo maior perigo que me induz
É seduzir-me cegamente
A navegar em suas artérias
Do tempo que não pára.

N

Nenhuma palavra em, língua alguma
Sequer uma vontade de a dizer
Que o silencio que habita
O meu momento é sagrado
E vêm desde os imemoriais tempos
Onde me habitei
Nas subaquáticas catedrais
De mares e ventos
Dos inquebrantáveis vidros
Dos espelhos de todos os côncavos
Sons que dormiram dentro das conchas do mar
Murmulhos e nenhuma palavra
Só o mar a ressonar as gaivotas livres
Que eu sonhara ser
Voando...
T
Talvez tivéramos sido felizes
Talvez
Também felizes
Talvez
Tivéramos sido
Talvez
Felizes
Uma vez
Talvez
O

Onde moram os ventos
Esconde-se a tempestade

pintura de joão werner


quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

LUAMAR, A LUA PRIMEIRA




quando eu amanheci , outro dia,
era aquarela e dança, água e rosa,
sol e pássaro.
o dia voou de meus alados olhos,
encostados na primeira lua,
desde sempre tatuando a beira de meu ser,
costurando todos os desejos em fio de prata,
macerando os cristais que irrompem a luz solar,
quando na esquina de meu ser
encontro os amanheceres namorando a lua vermelha e,
sou fogo e argila, ouro e cristal,
areia e vento.
sou tuas arestas de corpo e alma,
raízes de ti nascidas ,
que beijam o ventre de meu ser.


carmen fossari

LUA 2


quando a ilha teve sono, a lua inda sonolenta, solenemente antecipou-se, alguns desejos não podem tardar.
carmenfossari-ilha

LUA 3


a lua revestiu-se de humana máscara,pontuou suas arestas em arco e beijou o vácuo entre o breu e o homem, eu mergulhei aos luares lânguidos, e era da luz em mim, femina a mulher que tocou a borda da lua.

carmenfossari

LUA 4




a íngrime noite beirou , as amorosas rosas,e de uma de suas mãos côncavas, criou o centro da noite, como uma luz vermelha de amor, e pálida de saudades, seguiu a noite a girar nas pétalas das rosas.

carmen fossari

LUA NUA 5




cavalgar de corpo outro , na equina vontade que me plasma aos prados pratas, pintados na lua cheia, que azula o feixe de sonhos ,
carmenfossari

LUA 6



um dia a terra queria ser lua, a lua ser sol e sol ser a noite,o dia ser a sereia,a sereia ser areia,a areia ser o vento,o vento ser tão lento,como o itento de ser eu de mim,sem ais .

carmenfossari

LUA 7





se deus que é deus, zeus, todos os teus, todos os eus, descansou ao sétimo dia, porque eu partícula da ínfima parte do cosmos não haveria de parar na sétima lua de ecrever? C.est tout dans la nuit, nuit blanche,
et je regarde tout le flambeau de la nuit.
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carmen fossari